Diversos
ministros do governo Lula (PT) embarcaram no “hype” da
apresentação do porto-riquenho Bad Bunny no intervalo do Super Bowl, no último domingo (8), para defender a soberania do Brasil e de outros países da América Latina.
Através das redes sociais, integrantes do governo, como
Anielle Franco, do Ministério da Igualdade Racial, e
Guilherme Boulos (PSOL), da Secretaria-Geral da Presidência, enxergaram na performance um ato político, em um momento em que o presidente dos Estados Unidos,
Donald Trump, promove uma intensa agenda contra imigrantes latinos.
Alexandre Padilha
O ministro da Saúde,
Alexandre Padilha (PT), compartilhou diversas publicações com trechos da apresentação de Bad Bunny em seu perfil no Instagram. Uma das postagens mostra um take do cantor
entregando seu prêmio do Grammy a uma criança durante o show, que a publicação identifica como
Liam Ramos, menino de cinco anos detido pela imigração.
A alegação, porém, é falsa. A criança que interpretou Bad Bunny quando criança é, na verdade, o ator mirim Lincoln Fox.
Anielle Franco
A ministra da Igualdade Racial,
Anielle Franco, postou um vídeo do artista com a legenda: “Hoje acordei com um orgulho danado de ser da América Latina. Viva as nossas cores, identidade e cultura. A América somos nós. Obrigada, Bad Bunny”.
Guilherme Boulos
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência escreveu nas redes sociais: “Deus abençoe a América Latina”, usando um vídeo do
intervalo do Super Bowl.
Gleisi Hoffmann
A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais,
Gleisi Hoffmann (PT), também postou: “Bad Bunny lavando a alma de todo o continente, em pleno intervalo do Super Bowl”.
Macaé Evaristo
A ministra dos Direitos Humanos e Cidadania,
Macaé Evaristo (PT), publicou um vídeo do porto-riquenho com a legenda: “A América é plural, latina, caribenha. Viva a América (inteira)! Ao dedicar o Grammy ao seu povo [de Porto Rico], na figura de uma criança, ele escolhe dignidade, futuro e direitos humanos”.
Paulo Teixeira
O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar,
Paulo Teixeira (PT), escreveu no X, antigo Twitter: “O show de Bad Bunny no Super Bowl lembrou que a América não é um único país, mas todo um continente abençoado por Deus. Em um momento de perseguição nos EUA, a cultura segue sendo um instrumento de expressão e resistência”.
Publicações com trechos da apresentação também foram repostadas pelas ministras
Luciana Santos (PCdoB), da Ciência, Tecnologia e Inovação, e
Margareth Menezes, da Cultura.
‘Seguimos aqui’
Antes mesmo de acontecer, o show do intervalo do Super Bowl já havia sido alvo de críticas do presidente Donald Trump.
No momento mais
crítico de operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), o nome do porto-riquenho como principal atração da noite acendeu um “alerta” na Casa Branca.
Trump já havia dito que não iria estar presente e criticou Bad Bunny, chamando-o de “escolha terrível” para realizar a apresentação.
Bad Bunny foi o primeiro artista latino-americano a se apresentar no intervalo, que já contou com shows de nomes como
Beyoncé,
Michael Jackson,
The Weeknd,
Bruno Mars,
Justin Timberlake,
Rihanna,
Usher e
Madonna.
O artista, que ganhou o principal prêmio do Grammy com o disco Debí Tirar Más Fotos, já criticou publicamente o presidente. Na canção Nuevayol, por exemplo, uma voz imitando a de Trump pede desculpas aos imigrantes e diz que os Estados Unidos não são “nada” sem os latinos.
A apresentação do último domingo foi marcada por simbolismos. O primeiro deles, linguístico: o show foi inteiramente cantado em espanhol.
O cenário também representou seu país natal,
Porto Rico, com trabalhadores no campo, idosos jogando dominó, entre outros elementos da cultura latina. “Meu nome é Benito Antonio Martinez Ocasio. Se hoje estou aqui no Super Bowl 60, é porque nunca deixei de acreditar em mim. Você também deveria acreditar em você. Você vale mais do que imagina”, disse em espanhol.
O cantor também convidou vários artistas de descendência latina para dançarem em uma casinha típica de Porto Rico, entre eles
Karol G,
Cardi B,
Pedro Pascal e Jessica Alba.
Bad Bunny também contou com a participação de
Lady Gaga, que cantou uma versão em salsa de Die With a Smile, e
Ricky Martin, que interpretou a canção Lo que le pasó a Hawaii.
Ao final da apresentação, o porto-riquenho, segurando uma bola de futebol americano com a frase “juntos, somos a América Latina”, foi acompanhado por bailarinos que carregavam bandeiras de todos os países do continente.
Em inglês, ele disse: “Deus abençoe a América”.
“
Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador, Brasil, Colômbia, Venezuela, Guiana, El Salvador, Guatemala, México, Cuba, República Dominicana, Jamaica, Haiti, as Antilhas, Canadá e minha pátria, Porto Rico. Seguimos aqui”.
— disse Bad Bunny antes de cantar DtMF.
A
apresentação provocou a fúria de Trump, que afirmou que o show “afrontou a grandeza da América”, referindo-se aos Estados Unidos.