A ação militar dos EUA em Caracas pode significar, neste momento, uma atenção de Washington com a América do Sul e deixa em alerta os
Após a captura de Maduro, os países chegaram a acordos principalmente relacionados ao petróleo e à libertação de presos na Venezuela. Em discurso sobre o primeiro ano de mandato,
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A tensão entre Washignton e Caracas se intensificou após o início do segundo mandato de Donald Trump. As ameaças norte-americanas se intensificaram no segundo semestre do ano passado, com ataques a barcos supotamente ligados ao narcotráfico, escalonando até a invasão à Venezuela.
Combate ao ‘narcotráfico’
Águas internacionais no
EUA publicaram vídeo de ataque a barco com ‘terroristas’
A campanha militar, denominada Força-Tarefa Conjunta Lança do Sul, supostamente contra o narcotráfico, começou em setembro, com bombardeios contra barcos. Até o dia 31 de dezembro, a ação registrou a destruição de pelo menos 36 embarcações e a morte de 115 pessoas.
Em novembro, Trump e Maduro chegaram a conversar por telefone. Porém, os contatos terminaram sem avanços, já que o venezuelano teria demonstrado resistência em deixar o poder, de acordo com a imprensa estadunidense.
A véspera de Natal foi marcada pelo primeiro ataque dos Estados Unidos à
O ataque
A captura de Nicolás Maduro e de sua esposa foi comemorada por Donald Trump, que acompanhou toda a ação por meio de uma transmissão. A
Por outro lado, o “sequestro”, denominado assim pelo pesquisador do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Leonardo Paz, foi uma surpresa.
Explosões ocorreram em toda a Venezuela na madrugada do dia 3 de janeiro
“Acho que a maior parte dos analistas imaginavam que seria um ataque a posições, ou relacionadas ao narcotráfico ou uma base aérea, se fosse algo mais sério. Mas a ideia de um ataque coordenado com um sequestro, isso foi completamente imprevisível”, disse em entrevista à Itatiaia.
Tropas de elite da Força Delta invadiram o complexo onde Maduro estava com
Horas depois, Trump publicou a
A então vice-presidente Delcy Rodríguez rejeitou a autoridade americana e convocou um conselho especial de defesa. No entanto, a Suprema Corte da Venezuela ordenou que ela assumisse a presidência interina para garantir a continuidade administrativa do país.
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No início da noite, a aeronave militar com Maduro pousou na Base Aérea de Stewart, em Nova York. Escoltado por mais de uma dúzia de agentes federais da DEA, Maduro foi visto algemado e vestindo roupas cinzas. Ele passou pelo processo de fichamento, incluindo coleta de digitais e fotos judiciais. Depois, foi transferido para o Centro de Detenção Metropolitano no Brooklyn, a mesma unidade onde estão detidas figuras como o rapper Sean “Diddy” Combs.
Petróleo como principal motivador?
O governo de Donald Trump tem afirmado que as reservas de
- Migração;
- Consenso bipartidário dos Estados Unidos sobre a Venezuela;
- Apoio da Venezuela à Cuba;
- Narcotráfico.
“Tem um monte de motivos e acho que o acesso americano ao petróleo venezuelano, na minha opinião, seria o menor deles. Os Estados Unidos não precisam desse petróleo, ele é o maior produtor de petróleo no mundo hoje”, disse. “Petróleo não é uma commodity onde hoje, olhando para o futuro, todo mundo está correndo atrás, ao contrário. Se você me perguntasse antes, eu diria que não, mas o próprio Trump falou que sim. Então, quem sou para desmenti-lo”, concluiu Leonardo Paz.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, detalhou um plano do governo norte-americano para consolidar a mudança de regime na Venezuela. Na primeira fase, denominada estabilização, está previsto que os EUA tomem entre 30 e
A segunda fase está relacionada à reintegração da Venezuela ao mercado global, abrindo o mercado venezuelano para empresas norte-americanas e ocidentais. Porém, representantes das principais empresas petrolíferas se reuniram e, na ocasião, a francesa Total Energies afirmou que um eventual retorno do grupo à extração de petróleo no país sul-americano
“Viabilizaram a venda de petróleo, Marco Rubio já disse que está organizando um conjunto de mecanismos financeiros para poder permitir que a Venezuela consiga cumprir alguns pagamentos, porque os Estados Unidos também fez uma série de sanções e bloqueou recursos venezuelanos”, explicou Leonardo Paz. “A ver no médio prazo, a Delcy Rodríguez vai começar a se organizar com os Estados Unidos e criar algum canal de diálogo mais próximo.”
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A Venezuela tem reservas estimadas em 303 bilhões de barris de petróleo - sendo a maior reserva comprovada no mundo - mas a produção está em declínio desde o início dos anos 2000. Os EUA pretendem manter um controle significativo sobre a indústria petrolífera venezuelana, incluindo a supervisão da venda da produção do país.
“Quais os reflexos disso? É difícil prever porque a gente não tem clareza ainda do tipo de direcionamento que o
Violação do direito internacional
Em seis de janeiro, a Organização das Nações Unidas afirmou que a operação dos Estados Unidos em Caracas violou um princípio fundamental do direito internacional. O Artigo 2º, parágrafo 4, da Carta da ONU diz: “Todos os Membros deverão abster-se, em suas relações internacionais, da ameaça ou do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado”. O parágrafo 7 do Artigo 2º também fala sobre o princípio de “não intervenção em assuntos de jurisdição interna de qualquer outro Estado”.
Porém, o pesquisador da FGV destaca que a violação de direitos internacionais começou desde os bombardeamentos contra barcos de supostos narcotraficantes. “Os Estados Unidos estavam querendo completar a cartela de bingo da violação de direito internacional”, disse.
Julgamento Maduro
Em 5 de janeiro, Maduro passou por
- Conspiração para o narcoterrorismo;
- Conspiração para o tráfico de cocaína;
- Posse de metralhadoras e dispositivos explosivos;
- Conspiração para posse de metralhadoras para uso pelo narcotráfico.
Desenho feito no tribunal mostra o ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (à esquerda), e sua esposa, Cilia Flores
Na ocasião,
“Acho que os Estados Unidos não estão se importando muito com o que a ONU vai dizer ou como a Venezuela vai se posicionar em relação a quem deve ou não, e se deve, julgar Maduro”, explicou o pesquisador.
A
Relação entre os Estados Unidos e a Venezuela após captura
Um dia após a captura do chavista, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nas redes sociais que
Desde então, a relação entre os países melhorou parcialmente, classificou Leonardo Paz. Isso se dá, principalmente, porque Rodríguez está assumindo um papel que equilibra dois fatores: a garantia de uma linha dura do chavismo mas, ao mesmo tempo, se acerta com Trump em alguns aspectos - entre eles, a viabilização da venda do petróleo.
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A presidente venezuelana já afirmou que está buscando avançar em direção a “relações internacionais equilibradas e respeitosas” com os Estados Unidos. Os dois países chegaram a um acordo para exportar até U$2 bilhões em petróleo bruto venezuelano para os EUA e Rodríguez anunciou uma proposta de
Futuro da América do Sul
A invasão dos
É esperado que os EUA continuem influenciando a Venezuela, buscando direcionar, principalmente, a política de Caracas. Para o pesquisador da FGV, a presidente venezuelana está em uma “corda bamba.”
“A presidente está em uma linha muito tênue. Ela tem que, obviamente, lidar com a pressão norte-americana e aceitá-la, porque está imaginando que também corre o risco de ser sequestrada ou atacada. Ela está entre dançar um pouco na corda, indo contra os Estados Unidos, mas, ao mesmo tempo, aceitando uma série de diretrizes que o governo americano já passou e vai passar”, finalizou Leonardo Paz.