Passagem de Rafah, entre Gaza e Egito, é reaberta; palestinos consideram medida uma ‘esperança’

Fronteira estava fechada desde 2024; Egito anunciou que 150 poderão sair de Gaza e outras 50 vão entrar no território nesta segunda (2)

Rafah é a única saída de Gaza para o Egito

A passagem de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito, reabriu nesta segunda-feira (2) nos dois sentidos para os habitantes. Fechada desde 2024, agora a população poderá atravessar a fronteira, mas sob condições muito restritas.

Na data da reabertura, autoridades egípcias anunciaram que 150 pessoas poderão sair de Gaza e ouras 50 vão entrar no território. Esta é a única via entre o território e o mundo exterior que não passa por Israel.

A reabertura da passagem pode significar esperança a milhares de palestinos, principalmente aos doentes e feridos que buscam sair de Gaza. É o caso de Mahmoud, um palestino de 38 anos que sofre de leucemia. Ele foi um dos primeiro autorizados a receber tratamento no Egito.

Mahmoud diz estar “muito feliz por finalmente receber o tratamento”, mas triste por deixar seus entes queridos em Gaza, onde “a situação é catastrófica”.

Para outros palestinos, que foram ao Egito antes do fechamento da fronteira, a reabertura significa o retorno a Gaza.

“Minha mãe terminou o tratamento e esperamos que volte do Egito. Para mim, é um dia de alegria. Vou abraçar minha mãe”, conta Abdel Rahim Mohamed, um homem de 30 anos que vive em Khan Yunis, no sul de Gaza. A mãe dele deixou Gaza para tratar um câncer de mama.

Cessar-fogo frágil

O plano de cessar-fogo na Faixa de Gaza entrou em vigor em outubro do ano passado. O acordo baseia-se em um documento de 20 pontos anunciado em setembro pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na época, o Hamas anunciou que iria libertar reféns israelenses.

Porém, mais de 100 crianças morreram em Gaza desde o início do cessar-fogo, segundo dados da agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Infância (Unicef). O número equivale a uma morte por dia durante a trégua. Quase 80% dos edifícios em Gaza foram destruídos ou danificados pelo conflito.

Em janeiro, o cessar-fogo entre as partes entrou na segunda fase, que prevê o desarmamento do Hamas, a saída das forças israelenses de algumas áreas da Faixa da Gaza e a presença de uma força internacional da estabilização.

A guerra começou com um ataque do Hamas contra o sul de Israel em 7 de outubro de 2023, onde 1.221 pessoas morreram. Desde então, mais de 71 mil palestinos foram mortos na campanha militar israelense de retaliação, segundo o Ministério de Saúde de Gaza.

* Com informações de AFP

Leia também

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

Ouvindo...