Roma começa a cobrar turistas para visitar a Fontana di Trevi; entenda

Intuito é que o recurso arrecadado ajude a manter a manutenção da fonte e a gratuidade para moradores da capital italiana

Turistas devem pagar para acessar a fonte de forma mais próxima

A Fontana di Trevi, ponto turístico de Roma, na Itália, começou a cobrar a entrada dos turistas nesta segunda-feira (2), tornando-se o mais recente monumento famoso a buscar financiamento para combater a superlotação de visitantes.

Turistas posaram ao Sol em frente à obra-prima barroca após pagarem uma taxa de dois euros (R$ 12,44, na cotação atual) para acessar a fonte, que atrai multidões que desejam conhecê-la de perto. Ainda é possível avistar o monumento gratuitamente, entretanto, de forma mais afastada.

“Diga-me que não vale dois euros! Vale milhares, senão milhões, é linda!”, disse a turista polonesa Agata Harezlak, de 41 anos, à Agência France-Presse.

O britânico Phillip Willis, vestindo bermuda e camiseta apesar do frio, disse estar encantado por conseguir “uma foto decente sem ser bombardeado por um monte de gente”.

Grande parte da praça permanece aberta ao público, e muitos preferem tirar fotos dali em vez de pagar por uma vista melhor. A prefeitura estima que essa taxa de entrada gere pelo menos seis milhões de euros por ano, segundo o assessor de Turismo de Roma, Alessandro Onorato.

Parte da receita será destinada ao pagamento dos 25 atendentes de colete azul contratados para trabalhar na bilheteria e guiar as pessoas pela área cercada no topo da escadaria até a fonte. Os fundos arrecadados também permitiriam a entrada gratuita de moradores de Roma em diversos museus da capital italiana, completou.

Fonte dos desejos

A história da Fontana di Trevi remonta ao século XVIII, quando o papa Clemente XII decidiu renovar a fonte que existia ali desde o Renascimento. Em 1732, foi feito um concurso público para escolher o novo projeto, vencido pelo arquiteto Nicola Salvi.

A obra levou cerca de 30 anos para ser concluída e só foi inaugurada oficialmente em 1762, já sob o papado de Clemente XIII. O monumento é uma obra-prima do barroco tardio, com estátuas de tritões, entidades gregas com corpo humano e cauda de peixe, guiando a carruagem de conchas do deus Oceano, ilustrando o tema da domesticação das águas.

A Fontana di Trevi carrega uma tradição que determina que visitantes joguem uma moeda para garantir o retorno a Roma e realizar desejos. Há muito tempo é uma grande atração na cidade, até mesmo para líderes mundiais em visita.

Estima-se que os turistas lancem cerca de três mil euros por dia na fonte, o que totaliza mais de um milhão de euros por ano. Esse valor é recolhido regularmente pela Prefeitura de Roma e destinado à Caritas, uma organização da Igreja Católica que apoia projetos sociais, como centros de acolhimento, distribuição de alimentos e programas de inclusão.

(Sob supervisão de Alex Araújo)

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Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.

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