Safári no Brasil: como funciona o passeio do ‘Onçafari’ no Pantanal e no Cerrado

Projeto de ecoturismo criado em 2011 que oferece passeios de observação de fauna em ambiente natural, inspirados nos safáris africanos, no Pantanal (Mato Grosso do Sul) e no Cerrado (Bahia, Goiás e Minas Gerais)

Onça durante um safari

O Brasil também tem safári, e ele acontece em dois dos biomas mais ricos do país: Pantanal e Cerrado. Criado em 2011, o Onçafari é um projeto de ecoturismo inspirado nos safáris africanos, mas adaptado à realidade brasileira, com foco na observação de animais em vida livre e na conservação da biodiversidade.

A proposta é permitir que visitantes observem a fauna silvestre em seu habitat natural, sem interferência direta, enquanto o turismo ajuda a gerar renda, produzir conhecimento científico e proteger áreas naturais ameaçadas.

Melhores destinos de ecoturismo e sossego no Brasil para viajar no feriado de carnaval

Onde acontecem os safáris no Brasil

Atualmente, o Onçafari opera em duas regiões principais:

  • Pantanal (Mato Grosso do Sul)
    Os safáris ocorrem na Caiman Pantanal, na zona rural de Miranda. O principal foco é a observação da onça-pintada, símbolo do bioma.

Pousada Caiman

  • Cerrado (Bahia, Goiás e Minas Gerais)
    As atividades acontecem na Pousada Trijunção, com destaque para o lobo-guará, espécie endêmica da América do Sul.

Pousada Trijunção

Segundo a ONG, apenas no Pantanal já foram identificadas 359 onças-pintadas desde o início do projeto, com mais de 8 mil avistamentos registrados. Antes da implantação do safári, a espécie era vista apenas algumas vezes por ano na região.

Como funciona o safári brasileiro

Onçafari

Os passeios são realizados em veículos abertos, sempre acompanhados por guias locais e biólogos. As saídas acontecem, em geral, ao amanhecer e no fim da tarde, períodos em que os animais estão mais ativos.

Não há roteiros fixos nem garantia de avistamento. O safári segue o ritmo da natureza, e cada experiência é diferente da outra. Todas as refeições durante os passeios são realizadas nas próprias pousadas onde os visitantes estão hospedados.

Para aumentar as chances de observação, parte dos animais é monitorada com colares de GPS e antenas de telemetria. A tecnologia permite localizar a área onde o animal se encontra sem interferir em seu comportamento e, ao mesmo tempo, gera dados importantes para pesquisas científicas sobre movimentação, hábitos e uso do território.

O que é a técnica de habituação

Onça Pintada

Um dos diferenciais do Onçafari é o uso da técnica de habituação. Nesse processo, os animais se acostumam gradualmente à presença dos veículos de safári, sem associá-los a ameaça.

Isso não significa domesticação. Os animais continuam totalmente selvagens, livres e sem qualquer contato humano. A habituação apenas reduz o estresse causado pela aproximação dos veículos, permitindo avistamentos mais longos e frequentes.

A primeira onça habituada foi Esperança, considerada a base da linhagem monitorada atualmente no Pantanal. A partir dela, filhotes e até netos passaram a ser acompanhados pela equipe ao longo dos anos.

Quais animais podem ser vistos

Anta Onçafari

Além da onça-pintada e do lobo-guará, os safáris possibilitam a observação dos chamados Big Five do Pantanal, termo inspirado nos safáris africanos para designar espécies emblemáticas da fauna regional:

  • Onça-pintada
  • Anta
  • Tamanduá-bandeira
  • Cervo-do-pantanal
  • Capivara

No Cerrado, o grande destaque é o lobo-guará, com quase 2 mil avistamentos registrados desde o início das atividades de ecoturismo na região.

Onça Parda

Ao contrário de zoológicos ou parques fechados, o safári brasileiro é baseado na observação responsável. Não há alimentação artificial, interação direta ou controle dos animais.

A experiência é contemplativa, educativa e científica, e depende totalmente das condições naturais do dia. O objetivo não é “mostrar animais”, mas entender o funcionamento dos biomas e o papel de cada espécie no equilíbrio ambiental.

Valores e formatos de passeio

Full Day Experience – 1 dia

  • Duração: cerca de 6 a 7 horas
  • Formato: duas saídas (manhã e tarde), com intervalo para descanso
  • Capacidade: até 6 pessoas por veículo
  • Crianças menores de 12 anos participam apenas em modalidade privativa
  • Regular: R$ 1.800 por pessoa (carro compartilhado, mínimo 2 pessoas)
  • Privativo: R$ 9.200 para até 4 pessoas
    • Acréscimo de R$ 1.500 por pessoa extra

Lobo Guará

Full Experience – 3 dias

  • Duração: cerca de 6 a 7 horas por dia
  • Formato: duas saídas diárias (manhã e tarde)
  • Capacidade: até 6 pessoas por veículo
  • Exclusivamente em modalidade privativa
  • R$ 25.000 para até 4 pessoas
  • Acréscimo de R$ 4.000 por pessoa extra

Informações importantes

  • Reservas estão sujeitas à disponibilidade e devem ser feitas com antecedência, preferencialmente junto à hospedagem.
  • Caso o Full Day Experience seja contratado por mais de um dia, a partir do segundo dia a atividade ocorre apenas em formato privativo.

O que levar para o safári

  • Câmera fotográfica
  • Chapéu
  • Roupas leves, de preferência claras e de manga comprida
  • Casaco, corta-vento ou capa de chuva
  • Protetor solar
  • Repelente
  • Sapatos fechados

Binóculos são disponibilizados pela organização, mas o visitante pode levar o seu.

Contato para cotações: viagens@oncafari.org

Leia também

Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias Turismo e Emprego & Concursos.

Ouvindo...