Cidadania portuguesa: especialista comenta volta da Lei da Nacionalidade ao Congresso

Revisão pode alterar regras para concessão da cidadania e gera incerteza para brasileiros que planejam pedir a nacionalidade em Portugal

Bandeira de Portugal

A decisão do Tribunal Constitucional de Portugal de devolver ao Parlamento a revisão da Lei da Nacionalidade reacendeu a atenção de milhares de brasileiros que planejam solicitar a cidadania portuguesa. Embora o tribunal não tenha derrubado todo o projeto, apontou falhas que violam princípios de segurança jurídica, o que obriga os deputados a reescrever parte do texto.

Na prática, isso abre um período de incerteza: as novas regras ainda não estão definidas e podem se tornar mais rígidas do que as atuais.

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O que motivou a devolução da lei ao Parlamento

Segundo o Tribunal Constitucional, alguns trechos da proposta apresentavam problemas como:

  • Falta de clareza nos critérios legais
  • Risco de insegurança jurídica para quem já vive em Portugal
  • Possível violação do princípio da proporcionalidade

Com isso, o Congresso português terá de revisar o texto antes de qualquer mudança entrar em vigor.

O que pode mudar nas regras da cidadania

De acordo com a advogada Rafaela Campos Abrahão, especialista em nacionalidade portuguesa, há sinais claros de endurecimento em discussão no Parlamento. Entre os pontos que podem ser alterados estão:

  • Aumento do tempo mínimo de residência legal exigido
  • Regras mais rígidas para netos de portugueses
  • Retomada de critérios subjetivos, como vínculos com a comunidade
  • Mudanças na forma de comprovação do tempo de permanência no país

Segundo ela, essas possíveis alterações não representam necessariamente um avanço em relação à lei atual, que é considerada mais estável e previsível.

Tempo de espera pode (ou não) contar para a cidadania

Um dos temas mais sensíveis envolve o período de manifestação de interesse — quando o imigrante aguarda a regularização do visto.

O Tribunal Constitucional reconheceu que:

  • A demora é responsabilidade do Estado português
  • O imigrante não pode ser penalizado por falhas administrativas

Apesar disso, a contagem desse tempo ainda depende de definição política do Parlamento, o que mantém o cenário indefinido para quem está aguardando.

Filhos e netos de portugueses também entram no debate

A revisão da lei também afeta famílias brasileiras que têm filhos em Portugal ou descendência portuguesa. Estão em discussão:

  • Redução do tempo de residência dos pais para filhos nascidos em Portugal
  • Possível retorno da exigência de “ligação efetiva” à comunidade portuguesa

Hoje, no caso de brasileiros, o domínio do idioma costuma ser o principal critério aceito. A especialista avalia que qualquer tentativa de tornar essa exigência mais subjetiva tende a gerar novos questionamentos judiciais.

Uso de inteligência artificial nos processos preocupa

Outro ponto levantado no debate é a utilização de inteligência artificial para acelerar a análise dos pedidos de nacionalidade.

Segundo a especialista:

  • A tecnologia pode ajudar a reduzir filas
  • Mas não pode decidir sozinha
  • Toda negativa precisa ter análise humana, justificativa clara e direito de defesa

Decisões automatizadas sem revisão humana podem ser contestadas judicialmente.

O que fazer agora: orientação prática

Diante do cenário atual, a principal recomendação técnica é:

  • Protocolar o pedido o quanto antes, sob as regras vigentes
  • Evitar esperar o desfecho da nova lei
  • Guardar todos os comprovantes e documentos desde já

Processos enviados antes de uma eventual mudança continuam sendo analisados pelas regras em vigor no momento do protocolo.

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias Turismo e Emprego & Concursos.

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