Lula apoia Michelle Bachelet para comandar a ONU a partir de 2027

Brasil endossa candidatura da ex-presidente do Chile em meio ao início da sucessão de António Guterres e a apelos por uma mulher no comando da organização

Lula e Michelle Bachelet durante encontro realizado em 2024

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou apoio oficial do Brasil à candidatura da ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, ao cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas. A manifestação foi feita em uma rede social, em resposta a uma mensagem do atual presidente chileno, Gabriel Boric.

Na publicação, Lula afirmou ser “uma honra” para o Brasil apoiar o nome de Bachelet e destacou que, após oito décadas de existência, é hora de a ONU ser liderada por uma mulher.

Bachelet foi a primeira mulher a governar o Chile, em dois mandatos, e também a primeira a assumir os ministérios da Defesa e da Saúde no país.

No sistema das Nações Unidas, Bachelet teve papel de destaque na criação e consolidação da ONU Mulheres, onde atuou como primeira diretora-executiva. Mais tarde, ocupou o cargo de alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, função em que trabalhou na defesa de populações vulneráveis e na promoção de direitos ligados ao meio ambiente e à democracia.

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“Sua experiência, liderança e compromisso com o multilateralismo a credenciam para conduzir a ONU, em um contexto internacional marcado por conflitos, desigualdades e retrocessos democráticos”, disse Lula.

Corrida pela sucessão de Guterres

O apoio brasileiro ocorre no início do processo que vai definir o sucessor do atual secretário-geral da ONU, António Guterres, cujo mandato termina em 31 de dezembro de 2026. O novo líder da organização assume em 1º de janeiro de 2027.

De acordo com as regras do processo, os países-membros já podem apresentar candidatos. Cabe ao Conselho de Segurança da ONU recomendar um nome, o que deve ocorrer até julho do próximo ano, antes da votação final pela Assembleia Geral, formada pelos 193 Estados-membros.

Em carta conjunta, a presidência da Assembleia Geral e a do Conselho de Segurança incentivaram explicitamente que os países indiquem mulheres. O documento destaca que, em toda a história da ONU, nenhuma mulher ocupou o cargo de secretária-geral e defende maior igualdade de gênero e diversidade regional na escolha.

Momento delicado para a ONU

A escolha do próximo secretário-geral ocorre em um momento turbulento para a ONU, especialmente em um cenário de conflitos crescentes, crise climática e pressões políticas e financeiras sobre o sistema multilateral.

Além de Bachelet, outros nomes já foram citados como pré-candidatos, como a ex-vice-presidente da Costa Rica, Rebeca Grynspan, atual chefe da agência da ONU para Comércio e Desenvolvimento, e o diplomata argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica.

Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

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