Chefe da PC de SC é pré-candidato e surfa em boom de seguidores com caso do cão Orelha

Ulisses Gabriel, delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC), ganhou mais de 75 mil seguidores no Instagram em janeiro e aspira um cargo na Assembleia Legislativa

Delegado-chefe da PCSC experimenta boom de seguidores após repercussão do caso do cão Orelha

Ulisses Gabriel, delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC), ganhou notoriedade nacional nas últimas semanas com a repercussão do assassinato do cão Orelha, mascote comunitário da Praia Grande, em Florianópolis. Experimentando um boom em seu número de seguidores virtuais, o policial é pré-candidato a deputado estadual e tem discutido publicamente nas redes sociais com críticos da condução do caso pela corporação

A noticiários locais, Ulisses Gabriel já afirmou reiteradamente que será pré-candidato à Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) e deve se descompatibilizar do cargo ainda este mês para focar na disputa eleitoral.

Ainda sem um partido, o delegado usa as redes sociais para fazer críticas à esquerda e afirma que as críticas feitas à polícia catarinense no caso da morte do cão Orelha se dá pelos catarinenses serem majoritariamente de direita.

No Instagram, o delegado já reúne 188 mil seguidores, sendo 76 mil obtidos a partir de janeiro deste ano. No dia 5, Orelha teve de ser submetido a eutanásia após ser encontrado com múltiplos ferimentos causados por um espancamento. A principal suspeita da autoria do crime paira sobre quatro adolescentes cujos familiares são indiciados por tentativa de coação na investigação do caso.

Desde então, o caso causa grande repercussão midiática e motiva protestos nas ruas por punições severas a crimes de maus-tratos contra animais. O receio de que as investigações da PCSC possam acobertar o crime cujos suspeitos são de famílias de classe média alta motiva críticas à corporação nas redes sociais.

Em seu perfil no X, Ulisses Gabriel bate-boca com críticos da operação e faz uso recorrente de argumentos políticos. “Lamentável! Nos atacam por ser um Estado de direita, o mais seguro, o que mais cresce, o com o menor índice de desemprego do mundo, o que menos tem beneficiados do bolsa família”, escreveu em um post.

Em outras publicações, ele criticou a decisão que enviou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumprir pena por tentativa de golpe de Estado na Papudinha e o comparou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quando este foi preso no âmbito da Operação Lava Jato.

Em meio a repercussão do caso do Cão Orelha, cujos suspeitos são adolescentes, o delegado também fez publicações defendendo a redução da maioridade penal para 16 anos. A pauta é uma das mais caras à agenda da direita brasileira.

Leia também

Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

Ouvindo...