Com três pré-candidatos, PSD terá disputa interna para definir nome à Presidência

Os governadores fazem parte de um movimento à direita que quer disputar a Presidência fora dos moldes do bolsonarismo expresso, hoje representado por Flávio Bolsonaro (PL)

Ronaldo Caiado anunciou filiação ao PSD em vídeo ao lado de Eduardo Leite e Ratinho Jr.

“O que sair daqui candidato terá o apoio de todos os demais” – assim, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, recém-chegado no PSD, definiu as aspirações do partido para lançar uma candidatura à Presidência da República em 2026.

A legenda, que tem três postulantes ao cargo, com os nomes de Ratinho Jr. e Eduardo Leite também à disposição, viverá um embate interno para que um dos três seja escolhido pela Executiva nacional, comandada por Gilberto Kassab, para concorrer ao Palácio do Planalto.

Os governadores fazem parte de um movimento à direita que quer disputar a Presidência fora dos moldes do bolsonarismo expresso, hoje representado por Flávio Bolsonaro (PL), apontado pelo pai como herdeiro da liderança do campo ideológico encabeçado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Outros nomes cotados são o do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que vem insistindo que concorrerá à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes.

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Das opções colocadas pelo PSD, Caiado é o que mais abertamente vem insistindo em uma candidatura. Pouco antes de anunciar sua filiação e sua despedida do União Brasil, o governador de Goiás afirmou, em entrevista a uma rádio, que vai “até o fim” na disputa. “Minha história de vida credencia isso”, disse.

Também no páreo, Eduardo Leite e Ratinho Jr. têm sido mais tímidos em se colocar como opções, mas também vêm construindo pré-candidaturas nos bastidores e são cotados em pesquisas eleitorais desde o ano passado como possíveis postulantes.

A escolha do candidato, conforme apurou a Itatiaia, será por consenso e é esperada até meados de abril, quando começam a ser definidas as chapas majoritárias e proporcionais. Kassab chegou a afirmar em entrevistas que a escolha do candidato será “política e dialogada” e que pesquisas eleitorais não serão o único critério para definir o nome.

Conforme o último levantamento da Genial/Quaest, divulgado em janeiro, Ratinho Jr. é o que melhor pontua entre os três pré-candidatos em todos os cenários testados, ficando à frente de Caiado e Eduardo Leite.

O mesmo se repete nos testes para o segundo turno, quando o governador do Paraná apresenta maiores percentuais de voto, mesmo que perca em todos os cenários para o presidente Lula.

Em contrapartida, Caiado já tinha apoio de alguns partidos e estava abertamente em busca de uma “nova casa” para disputar as eleições, com um projeto eleitoral mais estruturado do que os demais, segundo apurou a reportagem com interlocutores.

“Kassab enxergou que a disputa não é contra Lula, mas contra Flávio. As pesquisas hoje são completamente irrelevantes, a sociedade não está prestando atenção. Vai existir uma construção, dos três, em uma narrativa ao centro com entregas de fato versus uma narrativa que trata apenas da anistia”, avalia uma fonte, em reservas.

Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.

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