Pré-candidata ao Senado, Marília aponta Lei Kandir e dívida de MG como foco de atuação

Prefeita de Contagem e escolhida pelo PT como nome para a disputa pelo Senado, Marília escolheu questões fiscais como foco de uma eventual atuação no Congresso Nacional

Prefeita de Contagem, Marília Campos

Oficializada como pré-candidata do PT ao Senado por Minas Gerais, a prefeita de Contagem, Marília Campos, mira em aspectos fiscais como objetivos centrais de um eventual mandato no Congresso Nacional.

Em entrevista à Itatiaia veiculada nesta quinta-feira (29), um dia após ter seu nome apresentado na disputa pelo diretório do PT mineiro, Marília destacou que o debate sobre a dívida de Minas Gerais seguirá importante a partir de 2027, mesmo com o refinanciamento do débito já definido pelas regras do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).

“Embora a gente tenha avançado na negociação do governo do estado com o governo federal no que diz respeito à questão da dívida de Minas, nós temos que avançar muito mais. Então, eu já começo a debater sobre essa questão, a discutir sobre isso e acho que a gente pode avançar para tirar um pouco desse sacrifício que é imposto a Minas Gerais”, afirmou a prefeita de Contagem, maior cidade da Grande BH.

No fim do ano passado, Minas Gerais aderiu ao Propag e segue as tratativas para adesão ao programa em 2026. O projeto de autoria do senador Rodrigo Pacheco (PSD) e construído junto a parlamentares mineiros permite que os estados se adequem a mecanismos que reduzem os juros apenas ao índice inflacionário e parcelam o pagamento do débito em até 30 anos. O atual débito mineiro junto a União é de cerca de R$ 180 bilhões.

Além da dívida, Marília também elegeu como foco de sua eventual atuação no Senado a revisão da Lei Kandir. Essa medida foi criada em 1996, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e isenta o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre as exportações de produtos primários e semielaborados.

“Também acho que é importante discutir a questão da receita. O fato de ter uma Lei Kandir que diminui muito a arrecadação de Minas Gerais e significa que Minas Gerais não tem como fazer investimentos, seja porque tem uma dívida muito grande, seja porque tem uma receita muito pequena em função da Lei Kandir. E nós, para garantir os investimentos que Minas precisa, nós precisamos trabalhar na receita e na despesa”, destacou Marília.

Construída no âmbito da implementação do Plano Real, a Lei Kandir tinha como objetivo impulsionar o comércio exterior e criar reservas de recursos para garantir o sucesso da nova moeda. A medida, no entanto, é alvo de críticas de estados exportadores, como é o caso de Minas Gerais.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.
Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.

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