PT mineiro se divide entre aposta total em Pacheco e a busca por alternativas

A pouco mais de oito meses das eleições, partido ainda está indefinido sobre a disputa pelo Governo de Minas e o estabelecimento de um palanque mineiro para a campanha pela reeleição de Lula

Em torno do presidente nacional Edinho Silva, diferentes alas do PT mineiro se reuniram na Assembleia Legislativa de Minas Gerais em setembro de 2025

Um novo capítulo de um já antigo embate interno do PT mineiro se desdobra neste início de ano. Como pano de fundo está a indefinição sobre quem será o candidato apoiado pelo partido ao Governo de Minas em outubro e, consequentemente, quem oferecerá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) palanque no segundo maior colégio eleitoral do Brasil em sua empreitada por um quarto mandato no Palácio do Planalto

A direção estadual do partido espera resolver a questão até fevereiro e, para tanto, precisará manejar a disputa entre os grupos encabeçados pelos colegas de Câmara dos Deputados Rogério Correia — que defende a união em torno de Rodrigo Pacheco (PSD) — e Reginaldo Lopes — que busca alternativas ao senador.

A esperança por uma definição se dá em um momento de recrudescimento dos rumores de que Pacheco pode, enfim, sinalizar positivamente aos reiterados convites de Lula para concorrer ao Palácio Tiradentes com o apoio petista.

As movimentações de bastidores dão conta que Pacheco pode estar arquitetando sua saída do PSD em direção a outra legenda — possivelmente o União Brasil — como forma de entrar na disputa. O parlamentar é o nome preferido por Lula, que publicamente faz campanha por sua candidatura há quase dois anos.

Na ala do PT mineiro que comanda o diretório estadual, o movimento é visto com bons olhos. O grupo formado pela presidente Leninha e quadros históricos da legenda como o deputado federal Rogério Correia quer não apenas Pacheco no páreo, como uma união de nomes progressistas em torno do senador.

À Itatiaia, Correia defende que Pacheco seja o aglutinador de candidaturas de oposição ao projeto simbolizado pela manutenção da direita no Governo de Minas, há dois mandatos chefiado por Romeu Zema (Novo).

Contra o que o deputado chama de ‘governo privatista e ultra liberal’, a ideia é não apenas garantir Pacheco na disputa, mas conseguir também o apoio de nomes que podem entrar no páreo, como o presidente da Assembleia Legislativa (ALMG), Tadeu Martins Leite (MDB) e o já pré-candidato pelo MDB, Gabriel Azevedo. Se a união não for possível em primeiro turno, Correia espera contar com uma ampla aliança na campanha de segundo turno.

Por outro lado, o grupo encabeçado por Reginaldo Lopes e pelo deputado estadual Cristiano Silveira busca alternativas ao nome de Pacheco. A mais recente empreitada desta ala petista é Sandra Regina Goulart de Almeida, reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) prestes a encerrar seu segundo mandato à frente do maior centro universitário do estado.

Com um lado apostando em depositar todas as fichas em Pacheco e outro sondando o ‘mercado’ de candidatos, o PT mineiro espera uma agenda com Edinho Silva, presidente nacional do partido, para alinhar o planejamento enquanto o momento de encarar as urnas se aproxima.

Leia também

Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

Ouvindo...