Ofensiva dos EUA na Venezuela não deve estimular migração no Brasil, diz pesquisador

Na avaliação de Samuel Feldberg, caso não haja mudanças significativas no governo venezuelano, o fluxo de pessoas na fronteira deve seguir conforme o esperado

Com a saída de Maduro, Delcy Rodríguez, vice‑presidente do país, assumiu a presidência interinamente da Venezuela.

A instabilidade política e econômica causada pela ofensiva dos Estados Unidos à Venezuela no último sábado (2) não deve provocar um aumento no fluxo migratório de venezuelanos para o Brasil, segundo o doutor em Ciências Políticas pela Universidade de São Paulo (USP) e especialista em Relações Internacionais, Samuel Feldberg.

Na avaliação de Feldberg, o Brasil se vê, de certa forma, “pressionado” a aceitar os migrantes venezuelanos por se tratar de uma questão humanitária. Ele, no entanto, defende que é necessária maior cooperação entre o governo federal e o governo estadual de Roraima para garantir que toda a população, incluindo os estrangeiros, seja atendida pelos serviços públicos. “Por um lado, é sempre correto receber perseguidos políticos que vêm buscar refúgio em um país vizinho. Por outro, há um enorme componente econômico nesse fluxo migratório vindo da Venezuela ao longo dos últimos anos, e o estado de Roraima, com certeza, tem pago um preço excessivo”, ponderou.

Na visão dele, muitas vezes o Executivo estadual precisa arcar com demandas que são de responsabilidade do governo Lula (PT), que promove políticas de acolhimento. “Teria que haver um pouco mais de cooperação entre os governos federal e estadual na forma como esses migrantes são atendidos e na forma como o custo desse acolhimento está sendo dividido”, afirmou.

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O que vai acontecer após Maduro?

Questionado pela Itatiaia sobre o futuro político da Venezuela, o professor afirmou que é “muito difícil” saber o que irá acontecer com o país após a retirada de Nicolás Maduro, líder venezuelano capturado pelos Estados Unidos.

Para ele, assim como em outros tipos de governos ao redor do mundo, há divergências sobre o regime de Maduro. Enquanto alguns venezuelanos celebraram a retirada do presidente e apoiam uma mudança radical na presidência, outros, beneficiários das políticas públicas criadas durante essa administração, são contrários à saída do poder.

Com a saída de Maduro, Delcy Rodríguez, vice‑presidente do país, assumiu a presidência interinamente da Venezuela e foi reconhecida pelo governo brasileiro.

Pela Constituição venezuelana, na ausência absoluta de um presidente, o vice — no caso, Rodríguez — assume o cargo de forma interina, devendo convocar eleições no prazo de 30 dias. Em seguida, o vencedor da eleição assume e cumpre um mandato completo de seis anos.

Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast “Abrindo o Jogo”, que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

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