Instabilidade na Venezuela após operação dos EUA eleva preços de alimentos

A pesquisadora Mônica Simioni, que vive na divisa entre a Venezuela e o Brasil, relata que o preço de um pacote de macarrão pode chegar a até US$ 12

Pacaraima, fronteira do Brasil com a Venezuela.

A instabilidade política e econômica na Venezuela, causada pela operação dos Estados Unidos e pelo sequestro do líder venezuelano Nicolás Maduro, tem mantido a população do país reclusa em casa, de acordo com a pesquisadora e professora brasileira Mônica Simioni, que vive em Pacaraima, na fronteira com o Brasil, no estado de Roraima.

Em entrevista à Itatiaia, ela relatou que, na capital Caracas, por exemplo, os moradores temem novos ataques e, por isso, casas e comércios permanecem fechados. Segundo a pesquisadora, especialista em populações de regiões de fronteira, os poucos estabelecimentos que abrem impõem preços em dólar muito acima da média, o que acaba dificultando a compra de produtos básicos.

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À reportagem, Simioni chegou a relatar o preço médio de US$ 12 por um pacote de macarrão — cerca de R$ 64,66, na cotação atual do dólar. “Tem lugares em que, muitas vezes, as pessoas ganham US$ 4 por semana. Um mês de trabalho seria equivalente a um pacote de macarrão”, disse.

Esses relatos foram repassados à pesquisadora por venezuelanos que vivem na fronteira entre Brasil e Venezuela e que transitam entre os dois países.

Aumento na migração

A pesquisadora afirma que a tendência é de aumento no fluxo de migrantes venezuelanos para o Brasil. Segundo ela, no entanto, esse crescimento não seria apenas um reflexo do cenário pós-ataque dos Estados Unidos, mas também faria parte de movimentos migratórios já esperados após as festas de fim de ano. “A gente já esperava que janeiro tivesse um aumento. Em dezembro, recebemos famílias que, inclusive, comentavam sobre regressar ao país porque queriam estar nas festas com seus familiares. O povo venezuelano é muito religioso”, afirmou.

Ela destacou que o aumento ainda não se confirmou, mas que o andamento do fluxo migratório está sendo acompanhado por um grupo de pesquisadores.

Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista de política da Itatiaia e podcaster no “Abrindo o Jogo”. Mestre em ciência política pela UFMG e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México). Na Itatiaia desde 2006, já foi apresentadora e registra no currículo grandes coberturas nacionais, internacionais e exclusivas com autoridades, incluindo vários presidentes da República. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

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