Cortes de recursos dos EUA vão impactar atendimento a imigrantes venezuelanos na fronteira com o Brasil

Retirada de recursos estava prevista antes da captura de Maduro, impactos devem começar em fevereiro

Projeto atende venezuelanos na fronteira com o Brasil

Os cortes de recursos dos Estados Unidos para projetos da Cáritas brasileira na fronteira do Brasil com a Venezuela vão impactar o atendimento a imigrantes venezuelanos a partir de fevereiro deste ano.

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A entidade informou que serviços de água, saneamento, higiene e distribuição de refeições mantidos em Roraima passarão por um processo de suspensão gradual. As instalações no estado ficarão abertas até o mês de março e a entrega de refeições no Posto de de Recepção e Apoio (PRA) de Boa Vista encerrará suas atividades no próximo dia 30.

“Embora a decisão ocorra em um contexto internacional marcado por forte instabilidade, especialmente na Venezuela, onde a escalada de tensões e a invasão dos Estados Unidos agravam ainda mais a situação humanitária e podem ampliar os fluxos de deslocamento na região de fronteira, a suspensão gradual se dá em razão das limitações de financiamento que afetam a resposta humanitária desde 2025”, informa a entidade em nota.

A assessora nacional da entidade e coordenadora de dois projetos na fronteira, Giovana Canas, conta que desde o ano passado a Cáritas brasileira vem enfrentando dificuldades para manter as ações.

“Desde 2018 a gente recebia recursos internacionais dos Estados Unidos para oferecer apoio emergencial para uma recém-chegada na fronteira. A gente também tinha conseguido mobilizar outros atores internacionais, parceiros, para manter (o financiamento)”, conta.

Contudo, segundo ela, o tensionamento da situação da Venezuela preocupa a entidade, que teme que a população ficará desassistida sem o trabalho da Cáritas brasileira.

“Agora o que acontece com o tensionamento da situação da Venezuela é que a gente tá monitorando o fluxo na fronteira junto com os outros atores humanitários e nos preocupa muito porque a finalização desses projetos já vai deixar uma lacuna”, pontua.

Em nota, a Cáritas brasileira afirma que mobilizou “diversos diálogos e articulações, inclusive com o financiador, e conseguimos manter as instalações de wash até 31 de dezembro com recursos ainda liberados pelos EUA e também um outro recurso da União Europeia”. No caso do projeto de alimentação, será possível retomar as ações em maio a partir de outros recursos, próprios e de instituições parceiras, além de doações espontâneas.

Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast “Abrindo o Jogo”, que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

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