Prefeito de Ouro Preto diz que cidades históricas carecem de parceria efetiva com o Iphan

Ângelo Oswaldo avalia que órgão está em reestruturação, mas segue com dificuldades para atender às demandas das cidades históricas

Ângelo Oswaldo é prefeito de Ouro Preto e presidente da Associação Estadual das Cidades Históricas de Minas Gerais

O prefeito de Ouro Preto, Ângelo Oswaldo (PV), avalia que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) vive um momento de retomada sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas o ritmo de atuação do órgão ainda deixa a desejar nas cidades históricas.

Em entrevista à colunista de política da Itatiaia, Bertha Maakaroun, Oswaldo falou sobre o momento atual do país na preservação do patrimônio. Além de prefeito de Ouro Preto, ele é presidente da Associação Estadual das Cidades Históricas de Minas Gerais.

“É um desafio muito grande, porque nós temos por um lado o governo do presidente Lula relançando o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) das cidades históricas. Esse programa vem do segundo governo Lula e do governo da presidente Dilma (Rousseff, PT), depois ele foi interrompido no governo Jair Bolsonaro (PL) e foi retomado agora pelo governo Lula, mas ele ainda não conseguiu revitalizar e restaurar a própria instituição, o IPHAN.O instituto foi muito esvaziado e continua ainda carente de um um empenho maior para que ele possa dar as respostas positivas que nós todos esperamos da instituição. Essa instituição é paradigmática, ela é que indica os caminhos principais para uma política de patrimônio. Então, sem a parceria dela fica muito difícil e nós temos sentido, estamos hoje carentes de uma parceria efetiva com o Iphan”, afirmou Oswaldo.

Veja a entrevista na íntegra:

Jornalista, advogado e curador artístico, Ângelo Oswaldo está em seu quinto mandato à frente de Ouro Preto, a primeira capital de Minas Gerais. Referência no campo da preservação de centros históricos, o prefeito deu exemplos sobre como a desestruturação do Iphan impacta no cotidiano de cidades com patrimônio tombado.

“O PAC das Cidades Históricas está muito moroso para implementar as obras. Ouro Preto, por exemplo, tem R$ 41 milhões em obras a serem realizadas pelo programa. Outras cidades também receberam verbas vultosas, mas a liberação e a implementação do programa vai devagar. E ao mesmo tempo, nós temos o dia a dia. Como prefeito de Ouro Preto, eu não posso, por exemplo, abrir uma rua para resolver um problema de drenagem pluvial sem autorização do Iphan. E como o Iphan tem um número pequeno de funcionários, isso demora muito, tem um uma pilha de processos aguardando análise e aprovação”, complementou.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora

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