Copasa começa a se reunir com prefeituras de Minas mais de um mês após privatização

A expectativa da estatal é se reunir, até o fim de fevereiro, com representantes de 636 municípios que mantêm contrato vigente com a companhia

Durante os encontros, segundo a Copasa, a presidente irá apresentar as etapas do processo de desestatização.

A Copasa anunciou que irá iniciar, a partir de terça-feira (27), reuniões com prefeitos e representantes das prefeituras mineiras para discutir “investimentos, segurança jurídica e os próximos passos” do processo de desestatização. A iniciativa ocorre pouco mais de um mês após os deputados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovarem, de forma definitiva, a privatização da estatal.

De acordo com nota divulgada pela companhia, as reuniões serão realizadas, inicialmente, em Belo Horizonte e lideradas pela ex-secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e atual presidente da Copasa, Marília Melo.

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A expectativa da estatal é se reunir, até o fim de fevereiro, com representantes de 636 municípios que mantêm contrato vigente com a companhia.

Durante os encontros, segundo a Copasa, a presidente irá apresentar as etapas do processo de desestatização e o cenário atual para “acelerar obras e melhorias operacionais”. A companhia afirma que, para os municípios, a privatização será benéfica, com a “garantia de contratos mais robustos, com metas claras de investimento e maior previsibilidade técnica”.

Críticas da AMM

O agendamento das reuniões ocorre em um momento de crise entre a Associação Mineira dos Municípios (AMM), responsável por representar as cidades, e o governo de Minas Gerais. O presidente da AMM e prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão (sem partido), tem manifestado reiteradamente a falta de diálogo com o Executivo estadual sobre a privatização da companhia.

A associação chegou a acionar formalmente o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) para pedir esclarecimentos sobre o processo de privatização, que, até então, ainda não havia sido aprovado de forma definitiva.

A AMM questionava a autonomia dos municípios para manter ou não os contratos com a Copasa diante da mudança no modelo de gestão, a obrigatoriedade de vínculo das prefeituras com a companhia e se a eventual não anuência das cidades extinguiria automaticamente os acordos firmados, sem a necessidade de um processo administrativo.

O presidente da AMM também foi vocal sobre o tema durante uma agenda com o presidente Lula (PT), em Belo Horizonte, no fim de dezembro — evento que não contou com representantes do governo de Romeu Zema. Na ocasião, Falcão afirmou ao chefe do Executivo federal que as prefeituras não foram ouvidas pelo governo de Minas, especialmente no caso da privatização da Copasa.

Ele orientou os prefeitos presentes a não seguirem as recomendações das “cartinhas” enviadas pela Copasa aos municípios, que sugeriam a renovação dos contratos até 2073. “Não assinem esse documento, porque vocês têm o direito e a prerrogativa de discutir as condições caso a privatização avance”, afirmou à época.

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

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