ALMG aprova em definitivo projeto que prevê a privatização da Copasa

Seis emendas ao projeto foram rejeitadas durante a votação na Assembleia Legislativa

Votação aconteceu no Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais nesta quinta (17)

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou, por 53 votos a 19, nesta quarta-feira (17), o projeto de lei do governador Romeu Zema (Novo) que autoriza a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).

O projeto, que já havia sido aprovado em primeiro turno no início de dezembro, segue agora para a sanção ou veto do governador.

A proposta de Zema recebeu duras críticas dos deputados de oposição, que consideram a privatização um atraso para o estado.

“O nosso bloco de oposição deixará marcada na história de Minas que nós não compactuamos e repudiamos essa medida. Nós vamos lembrar desse processo no ano que vem, ano de eleição. Fizemos um bom combate e fomos as vozes de vocês (trabalhadores da Copasa) aqui na Assembleia. Estamos do lado certo da história, na defesa do patrimônio público”, afirmou a deputada Leninha (PT).

“Conseguimos superar todas as etapas necessárias dentro do processo legislativo com amplo debate, inclusive com uma ampla obstrução por parte da oposição, o que é legítimo dentro do processo, e depois de tanto trabalho conseguimos finalizar esse processo com votação em segundo turno, inclusive com votação da redação final”, declarou o deputado governista Cássio Soares (PSD).

Questionado sobre a possível judicialização do tema, Soares afirma que a oposição já tentou isso duas vezes no passado e não conseguiu levar os processos a frente. “A Justiça deu ganho de causa para a Assembleia pela tramitação na Comissão Especial. Tenho certeza que a Justiça vai respeitar o ganho de causa e o encaminhamento correto da Assembleia Legislativa”, acrescentou.

“Essa votação na Assembleia foi contra a população. Todas as pesquisas indicavam que a população compreendia o que é privatização e que ela era contra a privatização. Infelizmente, o parlamento entregou uma votação na contramão daquilo que a sociedade mineira queria. Essa privatização não tem nada a ver com o Propag, tem a ver com uma agenda eleitoral e com uma agenda que o governo sempre quis entregar desde 2019”, lamenta a deputada estadual de oposição Beatriz Cerqueira (PT).

Emendas da oposição

Deputados de oposição apresentaram várias emendas ao texto. A deputada Bella Gonçalves (PSOL) elaborou quatro emendas apresentadas e votadas em plenário sem parecer das comissões. A emenda n° 3 pedia que 30% do total arrecadado com a venda da Copasa fosse destinado a um fundo estadual de saneamento.

A emenda n° 4 tratava sobre a possibilidade de realocação dos servidores da Copasa em entes municipais; a n°5 tratava da extensão da realocação de funcionários da Copanor, estatal de saneamento que atende a porção Norte do estado e os vales do Jequitinhonha e do Mucuri.

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Já a emenda n° 6 queria ampliar a estabilidade temporária dos servidores para 60 meses. O substitutivo que chegou para votação na Assembleia define que os trabalhadores da Copasa permaneçam empregados por 18 meses após a privatização.

Havia ainda duas emendas assinadas pelo Bloco Democracia e Luta, oposição a Zema na Casa. Ambas tratavam sobre prerrogativas para empresas interessadas em arrematar a Copasa.

A emenda n° 8 queria proibir a venda para empresas cujos diferentes tiveram atuação prévia na administração ou no conselho da Copasa. Já a emenda n° 9 queria impedir a venda para empresas que tenham adquirido mais de 5% das ações ordinárias da companhia de saneamento no último ano.

A Copasa no Propag

O PL 4.380/2025 teve sua tramitação precedida por uma atribulada discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/2023, também de autoria de Zema, que derrubou a exigência de um referendo popular para autorizar a privatização da Copasa.

A privatização da Copasa, bem como da Gasmig e da Cemig, já integrava a pauta do governo Zema desde o primeiro mandato, mas ganhou novo fôlego com a criação do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Com o projeto permitindo a privatização e federalização de ativos como forma de pagar a dívida com a União, vários projetos da pauta privatista do Executivo andaram na Assembleia após anos parados, incluindo os imóveis do estado.

O Propag prevê que estados refinanciem em 30 anos a dívida com a União e estabelece mecanismos para reduzir os juros cobrados sobre as parcelas. O projeto do Executivo Estadual é ingressar no programa abatendo 20% do estoque devido. Para obter o valor necessário na amortização da dívida, o Executivo enviou projetos para federalizar ou privatizar estatais à Assembleia.

Hoje os juros são indexados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais 4% ao ano. Se o estado conseguir amortizar 20% do estoque da dívida, dois pontos percentuais da cobrança adicional são abatidos.

Outro ponto percentual pode ser abatido com o compromisso de que a economia obtida com essa redução de juros seja reinvestida no estado. O uso do valor que não será pago em forma de dívida deve, portanto, ser aplicado em ações de segurança pública, ensino profissionalizante, infraestrutura e outras áreas nevrálgicas da estrutura do estado. A venda da Copasa é defendida como forma de obter recursos para fazer tais investimentos no primeiro ano de adesão ao Propag.

Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.
Graduado em jornalismo e pós graduado em Ciência Política. Foi produtor e chefe de redação na Alvorada FM, além de repórter, âncora e apresentador na Bandnews FM. Finalista dos prêmios de jornalismo CDL e Sebrae.
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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