Em entrevista exclusiva à Rádio Itatiaia, o senador Ângelo Coronel confirmou que deixará o PSD após perder espaço na formação da chapa majoritária para as eleições de 2026 na Bahia. Segundo ele, a escolha de um novo partido será guiada pela viabilidade de sua reeleição ao Senado, sem levar em conta se a legenda fará parte ou não da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) ou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Eu ainda estou analisando os convites que me foram feitos. Temos prazo até o dia 4 de abril e esperamos que nesses 30 dias a gente consiga já regressar a uma nova agremiação. Não é somente a minha pessoa, tem candidatos a deputados também que migrarão junto comigo. Precisamos ver qual é o melhor partido que a gente pode entrar”, afirmou o senador à Itatiaia.
Coronel confirmou que mantém a pré-candidatura ao Senado em 2026 e disse que a saída do PSD foi motivada pela decisão do PT baiano de construir uma chapa exclusivamente petista, com a reeleição de Jerônimo ao governo e as duas vagas ao Senado ocupadas por Jaques Wagner e Rui Costa. Segundo o senador, o PSD optou por acompanhar essa estratégia, inviabilizando sua permanência no partido.
“O motivo desse rompimento foi justamente isso. O PT optou pela chapa puro sangue, só com petistas disputando governador e as duas vagas de senador. O meu partido aqui na Bahia resolveu ficar nessa tese do PT. Aí por isso que a gente resolveu sair e procurar uma outra agremiação para tocar a vida”, declarou.
Apesar do rompimento político, Coronel afirmou que deixa o PSD sem mágoas e destacou a relação histórica com o presidente estadual da legenda, senador Otto Alencar. Segundo ele, ninguém gosta de perder aliados, e Otto também não deve ter ficado satisfeito com sua saída, após cerca de 40 anos de convivência política: “Mas saio sem nenhuma mágoa. De ninguém, nada. É um casamento. Desejo sorte a todos. Vida que segue, sem inimizades”, disse.
O senador não leva reclamou do impacto do peso eleitoral do PT na Bahia sobre seus planos e afirmou que a mudança de partido não interfere em sua estratégia de reeleição. “O PT foi forte e continua, mas nos meus planos não interferirá em nada. Vamos trabalhar na reeleição, porque o povo clama por mudança”, afirmou à rádio.
Relação com Planalto nunca foi das melhores
Na entrevista, Coronel também comentou sua relação com o Palácio do Planalto e disse que sempre teve pouco acesso ao governo federal. “Para falar a verdade, a minha relação com o Palácio do Planalto é muito pouca. Sempre a bancada da Bahia fechava o meu acesso. Praticamente, em centenas de mandatos, eu nunca fui recebido pelo presidente no Palácio do Planalto”, relatou.
Questionado sobre os convites de outras siglas, o senador evitou citar nomes e disse que a decisão faz parte de uma estratégia eleitoral. “Isso é uma coisa estratégica. O jogo é de campeonato da Série A”, afirmou.
A reportagem da Itatiaia não teve retorno sobre o posicionamento do senador Otto Alencar sobre a saída do senador Angelo Coronel.