O retorno dos trabalhos legislativos em 2026 traz à tona pautas importantes que envolvem Minas Gerais no Congresso Nacional. Segurança pública, infraestrutura rodoviária, crise na saúde, mineração e reformas estruturais concentram as prioridades da bancada mineira, mas mostram também uma divisão clara de discursos em um ano pré-eleitoral.
Enquanto parlamentares da direita pressionam pelo avanço da PEC da Segurança Pública e pela instalação de comissões parlamentares de inquérito, deputados do campo progressista tentam destravar projetos voltados à diversificação econômica e à proteção ambiental do estado.
Na Câmara dos Deputados, a expectativa é de que a PEC da Segurança Pública seja retomada e o deputado federal Junio Amaral (PL MG), que conversou com a reportagem da Itatiaia, afirma que a proposta exigirá uma articulação intensa da bancada para evitar interferências federais na gestão estadual: “Acredito que a PEC da Segurança Pública volte a ser pautada no retorno dos trabalhos, o que demandará um intenso trabalho de nós deputados para respeitar a autonomia dos Estados na gestão da segurança pública”, afirmou.
Além disso, o deputado defende a prorrogação da CPMI do INSS e reforça a necessidade da instalação da CPMI do Banco Master: “Considero que a CPMI do INSS deve ser prorrogada e há uma forte pressão sobre o presidente do Congresso para que instale a CPMI do Banco Master”, disse.
Pautas sociais e ambientais enfrentam resistência da oposição
No campo oposto, a deputada federal Duda Salabert (PDT MG), avalia que o Congresso vive um dos momentos mais conservadores da história recente e afirma que projetos estruturantes para Minas enfrentam forte resistência: “Temos o pior Congresso da história da política brasileira. Tenho lutado para aprovar projetos importantes para Minas Gerais, como o que cria o Fundo de Diversificação Econômica a fim de reduzir a dependência da mineração”, declarou.
A parlamentar também tenta levar ao plenário a proposta que cria o Monumento Natural da Serra do Curral, ampliando a proteção ambiental de uma das áreas mais simbólicas de Belo Horizonte: “Tento aprovar em plenário minha relatoria do projeto que cria o Monumento Natural da Serra do Curral, ampliando a proteção da Serra”, afirmou.
Duda, no entanto, admite que na “briga” de forças, devem ganhar os projetos de cunho liberal. Para ela, a Reforma Administrativa é a pauta que deve avançar mais rapidamente e atingir diretamente os serviços públicos essenciais em Minas Gerais: “Infelizmente os projetos que têm mais chance de serem aprovados este ano são aqueles que retiram direitos dos trabalhadores de Minas Gerais. Cito como exemplo a Reforma Administrativa, que é um ataque à saúde, à educação e ao serviço público de Minas e do Brasil”, disse.
Já no Senado Federal, o senador Carlos Viana (Podemos MG), reclama da ausência de uma agenda clara apresentada pelo governador de Minas, Romeu Zema, à bancada federal. E o parlamentar ainda diz que, essa falta de atitude, fez com que ele mesmo definisse suas próprias prioridades: “Como o governo de Minas não apresentou proposta ou projetos para o estado junto à bancada de deputados e senadores, vou priorizar a obra da BR-381 no trecho entre Belo Horizonte e Caeté e o apoio urgente ao sistema de saúde pública, que está em colapso em toda Minas Gerais”, afirmou.
A declaração expõe a insatisfação sobre as ações (ou a falta delas), entre o Executivo estadual e a representação em Brasília, além de reforçar a estratégia de parlamentares, principalmente no ano eleitoral, que optam por assumir o protagonismo direto em pautas de grande apelo regional e eleitoral.
Os temas apresentados pelos parlamentares indicam que a bancada mineira começa 2026 sem uma agenda unificada no Congresso. Temas como segurança pública, reformas estruturais, investigações parlamentares e investimentos em infraestrutura devem pautar as principais discussões ao longo do ano legislativo.