Bertha Maakaroun | Cleitinho será candidato ao governo de Minas?

Eleição em Minas, segundo maior colégio eleitoral, é a mais indefinida no Brasil porque os dois campos políticos que polarizam a disputa nacional ainda não bateram o martelo

Cleitinho lidera as pesquisas, mas ainda não se decidiu se vai concorrer ao Governo de Minas

Os dois campos políticos que polarizam a disputa no plano nacional - o campo lulista e o campo bolsonarista - ainda não decidiram quem serão os seus candidatos ao governo de Minas. Tal indefinição explica por que, o estado que tem o segundo maior colégio eleitoral do país seja aquele com o quadro da sucessão estadual totalmente em aberto.

O campo bolsonarista é representado em Minas pelo PL dos deputados federais Domingos Sávio e Nikolas Ferreira, dos deputados estaduais Cristiano Caporezzo e Bruno Engler. Também no campo bolsonarista está o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), nome que lidera as pesquisas de intenção de voto, mas ainda não tornou público que caminho tomará em 2026.

O ano de 2025 se encerrou com uma aproximação deste campo político bolsonarista com a candidatura do vice-governador Mateus Simões, que está no PSD. Mas essa aproximação subiu no telhado com as movimentações nacionais de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, que constrói uma terceira via na eleição presidencial, à direita, sem o bolsonarismo.

Essa aproximação também sofre resistências de parlamentares do PL ligados à segurança pública. Em Minas, o PL de Flávio Bolsonaro quer um palanque do bolsonarismo autêntico. O palanque de Mateus Simões talvez não lhe convenha agora que, no plano nacional, a terceira via irá disputar com Flávio Bolsonaro a posição no segundo turno presidencial.

As atenções se voltam para o senador Cleitinho, quem Mateus Simões gostaria de retirar da disputa. A possível chapa que se desenha neste momento: a candidatura de Cleitinho, tendo por vice, o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, que vai se filiar ao PL. Há outros nomes que tentam articular uma chapa com Cleitinho. Luís Eduardo Falcão, presidente da Associação Mineira dos Municípios. Está em aberto.

No outro campo político o presidente Lula (PT) pretende insistir na candidatura do senador Rodrigo Pacheco, que está no PSD e vai se filiar ao União. Mas o senador, até aqui, ainda não deu indicativo claro de que pretenda concorrer. O presidente da Assembleia, Tadeu Leite (MDB), é também mencionado.

Junto com Rodrigo Pacheco, Tadeu Leite conduziu a construção do Propag, programa que dá a Minas uma nova chance para resolver a sua dívida estrutural com a União. Tadeu Leite ainda não se posicionou. Dentro do PT, existe articulação pela candidatura de Sandra Goulart, reitora da UFMG, que em 16 de março, encerra o seu segundo mandato consecutivo.

O deputado federal André Janones, que vai se filiar à Rede, se coloca. Mas há quem aposte que Janones seja um balão de ensaio. No campo de aliados lulistas, há quem trabalhe com nomes de fora da política, como o ex-procurador geral de Justiça, Jarbas Soares. Mas PT e forças políticas aliadas articulam possibilidades junto a outras lideranças, ainda mantidas em reserva.

É fato que, nesse campo, as únicas candidaturas definidas são ao Senado: a prefeita de Contagem, Marília Campos e Alexandre Silveira (PSD), ministro das Minas e Energia. Alexandre Silveira irá definir que destino partidário tomar: ficará no PSD ou se filiará ao PSB? Toda essa movimentação vai atingir o ponto de ebulição, entre 6 de março e 5 de abril, período em que a janela partidária estará aberta. A esta altura, o tempo já não é aliado. Diria Benjamin Franklin: “você pode se atrasar, mas o tempo não fará”.

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Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora

A opinião deste artigo é do articulista e não reflete, necessariamente, a posição da Itatiaia.

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