Valdir Barbosa | Por que a União Europeia fechou acordo com a Índia e com o Mercosul ainda não

Carne bovina, arroz e açúcar são principais entraves no acordo; Índia pensa diferente e tirou esses produtos agrícolas do texto

Antônio Costa, presidente do Conselho Europeu; Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia; e Ursula Von der Leyen, presidente da União Europeia

Amigas e amigos do Agro!

Nesse acordo com a Índia, a União Europeia (UE) respeitou o desejo de seus agricultores, deixando fora das negociações a carne bovina, o frango, o arroz e o açúcar, enquanto o Brasil não abre mão de seus principais produtos agrícolas.

Um acordo discutido durante quase 20 anos, mas com as tarifas de Donald Trump e China, indianos e europeus se acertaram, porém o texto ainda terá que ser aprovado pelos dois parlamentos.

Sem os protestos dos agricultores na Europa, as partes querem colocar o contrato em vigor até janeiro de 2027.

A Índia, ano passado, subiu para o quarto lugar na economia mundial, dividindo o posto com o Japão, US$ 4,2 trilhões.

Os Estados Unidos lideram a economia mundial com US$ 30 trilhões, a China em segundo com US$ 19 trilhões e a Alemanha em terceiro com US$ 4,7 trilhões. O Brasil era o oitavo colocado e caiu para o nono lugar.

A previsão é que a Índia chegue a terceira posição superando a Alemanha até 2032.

A primeira vista, o acordo parece ser bem favorável aos europeus, que vão colocar seus automóveis na Índia com uma taxa de 110% de caindo para 10%, numa redução gradual.

Vinhos, uísques, conhaques vão baixar de 150% para 20%. Maquinários, produtos químicos e farmacêuticos vão a próximo de zero.

Em contrapartida, a Índia vai exportar eletrônicos, joalheria, indústria têxtil, tecnologia, data centers e inteligência artificial.

É um país com sérios problemas sociais dividindo sua imensa riqueza a pouco mais de 1% da população.

Entretanto, se aproveitando da mão de obra chinesa que está ficando cara, a Índia começa a receber grandes empresas como Nike, Adidas, Puma, Books, Apple, Samsung, Intel e outras.

A Índia é a quarta potência mundial no agronegócio. China, Estados Unidos e Brasil estão à frente.

Agora, é aguardar pelo menos o acordo provisório entre Mercosul e União Europeia.

Itatiaia Agro, Valdir Barbosa.

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Produtor rural no município de Bambuí, em Minas Gerais, foi repórter esportivo por 18 anos na Itatiaia e, por 17 anos, atuou como Diretor de Comunicação e Gerente de Futebol no Cruzeiro Esporte Clube. Escreve diariamente sobre agronegócio e economia no campo.

A opinião deste artigo é do articulista e não reflete, necessariamente, a posição da Itatiaia.

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