São Paulo, Santa Catarina e Minas Gerais são três estados em que o PL está rachado entre diferentes núcleos políticos para as duas indicações do partido às vagas para Senado.
Em Minas, a disputa interna, que chegou a ter seis nomes, agora se afunila entre o deputado federal Domingos Sávio (PL) e o deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL). Domingos Sávio, tem apoio de Nikolas Ferreira e de Valdemar da Costa Neto, presidente nacional da legenda. Caporrezzo, integra o núcleo duro de relacionamentos de Eduardo Bolsonaro e, em julho, ouviu de Bolsonaro que Domingos Sávio e ele Caporezzo seriam os dois candidatos da legenda em Minas.
Só que a corrida ao Senado não está desvinculada da eleição ao governo do estado. Domingos Sávio costura apoio e coligação do PL com a candidatura do vice-governador Mateus Simões (PSD), que por seu turno tem compromisso prévio com Marcelo Aro (PP), secretário de estado de governo, também candidato ao Senado. Se a coligação do PL com Mateus se confirmar, Domingos Sávio ou Caporezzo ficaria de fora da chapa ao Senado. Contudo, há um outro cenário que se desenha em Minas. Discute-se a troca de comando na presidência do União e da Federação PP-União no estado, para a qual é cotado o prefeito Álvaro Damião (União). Se isso ocorrer, uma das possibilidades seria o lançamento de uma chapa independente da federação ao Senado, o que liberaria as duas vagas para o PL na chapa majoritária de Mateus Simões.
Em São Paulo também tem fogo amigo. A cassação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e sua permanência nos Estados Unidos, abriu um racha interno. Ele era candidato do PL ao Senado. Seis políticos de diferentes grupos do bolsonarismo reivindicam essa vaga na chapa. Enquanto Eduardo Bolsonaro apoia o deputado estadual Gil Diniz, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro quer ocupar o espaço político apoiando a deputada federal Rosana Valle (PL). O PL de São Paulo chegou, em princípio, a apoiar Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, mas agora se reposiciona. E o governador, Tarcísio de Freitas, candidato à reeleição, mas até aqui ainda deixando a porta aberta para concorrer à presidência da República, quer Guilherme Derrite (PP-SP) concorrendo a uma das vagas. Também estão no jogo o deputado federal Marco Feliciano (PL-SP) e o vice-prefeito Coronel Mello Araújo.
Em Santa Catarina, com o apoio do pai, Jair Bolsonaro, Carlos Bolsonaro (PL), renunciou ao mandato de vereador para concorrer. Só que no estado, a deputada federal Carol de Toni (PL-SC) pretende disputar uma das duas vagas Senado por seu estado em 2026. Com a chegada de Carlos Bolsonaro, o governador Jorginho Mello (PL), que em princípio apoiava a reeleição do senador Espiridião Amim (PP-SC) pretendia trocar Carol por Carlos Bolsonaro na segunda vaga da chapa ao Senado. Carol de Toni ameaça trocar o PL pelo Novo, tem apoio de outras lideranças locais e nacionais da legenda e agora, Jorginho Mello considera retirar o apoio a Espiridião Amim para dar sustentação a Carol de Toni e Carlos Bolsonaro ao Senado. Em Santa Catarina, sobram críticas a esse movimento chamado de políticos paraquedas no estado. O prefeito de Camboriú, Leonel Pavan (PSD) considera que Santa Catarina está sendo tratada como um balcão de negócios.
A disputa ao Senado está mais concorrida do que aos governos de Estado. Por que será?