Com ou sem o governador mineiro na chapa, pelas características do eleitorado do estado, que sintetizam o eleitorado nacional, a tendência é de que os resultados em Minas sigam como espelho dos resultados nacionais
Minas Gerais é uma amostra natural do Brasil. A diversidade social, econômica e cultural do eleitorado nacional está presente no estado em proporções parecidas àquelas encontradas em território brasileiro. Em consequência, os resultados que saem das urnas para as eleições presidenciais em Minas e no Brasil – e também os resultados das pesquisas amostrais de intenção de voto em Minas e no Brasil- , têm grande chance de caminhar na mesma direção. Quem ganha no Brasil, ganha em Minas Gerais. E não o contrário como costumam dizer alguns políticos. Assim tem sido ao longo da história.
Exceção à eleição presidencial de 1960 – em todas as outras no pós-1930 os resultados de Minas caminharam junto com o resultado nacional. Exceção à eleição presidencial de 1960 – em todas as outras no pós-1930 os resultados de Minas caminharam junto com o resultado nacional: Eurico Gaspar Dutra (1945): Getúlio Vargas (1950): Juscelino Kubitschek (1955); Fernando Collor (1989); Fernando Henrique Cardoso (1994 e 1998); Lula (2002 e 2006); Dilma Rousseff (2010 e 2014); e Jair Bolsonaro (2018). Nas últimas seis eleições gerais deste milênio para a presidência da República, Minas foi o estado brasileiro que apresentou resultados mais próximos dos resultados nacionais, com o menor desvio absoluto médio. Em estatística isso se chama alta correlação entre os resultados eleitorais no estado e no país.
A mais recente Paraná Pesquisa para a eleição presidencial realizada em Minas está mostrando exatamente as mesmas tendências que a mais recente pesquisa para a sucessão presidencial para o Brasil, publicada pelo DataFolha: uma disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro, com as candidaturas em situação de empate técnico. Na Paraná Pesquisa, no cenário de primeiro turno, Lula (PT) registra 36,7% das intenções de voto contra 32,1% de Flávio Bolsonaro (PL). No cenário de segundo turno, Lula teria em Minas 45,1% e Flávio Bolsonaro 42,7%, também uma situação de empate técnico.
Quando comparados esses resultados da Paraná Pesquisa com o DataFolha para o Brasil, divulgado neste domingo, 8 de março, temos que a presença do governador Romeu Zema na disputa, não altera, em Minas a estrutura da polarização entre lulistas e bolsonaristas. O que muda é o desempenho, no cenário de primeiro turno, de outros quatro pré-candidatos testados. Romeu Zema (PSD) tende a puxar para si, em Minas, parte das intenções de voto que, no plano nacional, foram dadas para Ratinho (PSD), Renan Santos (Missão) e Aldo Rebelo (DC). Portanto, independentemente de Romeu Zema, a tendência é de que os resultados de Lula e de Flávio Bolsonaro em Minas espelhem o Brasil.
Ao longo das últimas seis eleições presidenciais deste milênio, Minas Gerais também se caracterizou, em quatro delas, por um outro fenômeno: elegeu o presidente da República de um campo político e o governador do estado de posição política oposta. As únicas exceções foram 2014 e 2018. Nessa “DR” entre Minas e o Brasil, o candidato a presidente da República que ganhar no estado, poderá dizer, de certa forma, que enfim compreendeu o Brasil.