Bertha Maakaroun | O impasse político diante de Romeu Zema

Se mantiver a pré-candidatura à Presidência da República, Mateus Simões perderá o apoio do PL na sucessão estadual

Romeu Zema é pré-candidato à Presidência da República e deixará o cargo de governador neste mês

O cenário da corrida presidencial de reafirmação da polarização entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) aponta para o esvaziamento de uma eventual terceira via. O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab trabalhou para construir alternativa ao lulismo e ao bolsonarismo: filiou ao PSD os governadores Eduardo Leite e Ronaldo Caiado, do Rio Grande do Sul e de Goiás.

Ambos formaram com o governador do Paraná, Ratinho Júnior, o trio de governadores pré-candidatos ao Palácio do Planalto do PSD. Com a consolidação da candidatura de Flávio Bolsonaro há o estreitamento do espaço para o crescimento de uma terceira via.

O PL quer forçar, já no primeiro turno, o apoio a Flávio Bolsonaro de todos os pré-candidatos que orbitam o bolsonarismo. E neste momento, a legenda usa as sucessões estaduais para negociar.

Nesta semana está prevista conversa de Flávio Bolsonaro com Ratinho, em que o senador vai dizer ao governador do Paraná que se ele for candidato à Presidência, o PL irá apoiar na eleição ao governo do Paraná o senador Sérgio Moro (União). No Paraná, Moro é adversário de Ratinho, que ainda não anunciou a quem apoiará em sua sucessão.

Em Minas, a situação é parecida à do Paraná. Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL, declarou neste domingo que o partido não poderá ficar com o vice-governador Mateus Simões (PSD) na eleição ao governo de Minas, porque ele está com Romeu Zema para a presidência da República. Se Zema mantiver a pré-candidatura, o PL tende a apoiar o senador Cleitinho (Republicanos), numa composição com Flávio Roscoe, presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg).

Essa é uma chapa que inviabilizaria a candidatura de Mateus Simões ao governo de Minas. Mateus Simões sabe disso: neste domingo, declarou considerar um “erro” a candidatura de Cleitinho, porque ela divide a direita em Minas. Mateus quer que o senador, que lidera as pesquisas, abra mão de concorrer para apoiá-lo.

Cleitinho tem reafirmado que só desistiria de sua candidatura ao governo de Minas para Nikolas Ferreira (PL), caso ele estivesse com melhor desempenho do que ele próprio nas pesquisas de intenção de voto. Neste momento, Mateus Simões é entre os pré-candidatos aquele que pior pontua.

Por seu turno Nikolas Ferreira, que gostaria de levar o PL ao apoio de Mateus Simões, tem afirmado que não quer concorrer ao Palácio Tiradentes nesta eleição porque aguarda a melhora da situação fiscal do estado.

É neste contexto que Romeu Zema terá de escolher se prefere ter o apoio do PL e ampliar as chances de eleger Mateus Simões em Minas ou seguir com a sua pré-candidatura à Presidência da República. Romeu Zema vai cozinhando o galo. Como pré-candidato ao Planalto, aproveita todas as oportunidades para ampliar a sua visibilidade no cenário nacional. Mas, como tudo na vida, chegará o momento que precisará fazer a escolha.

Leia também

Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora

A opinião deste artigo é do articulista e não reflete, necessariamente, a posição da Itatiaia.

Ouvindo...