Bertha Maakaroun | Polêmica na Sapucaí cai no colo da Justiça Eleitoral

O samba-enredo da Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula mais atrapalha do que ajuda a candidatura à reeleição do presidente da República

Lula recebe homenagem da Acadêmicos de Niterói e tem nome cantado na Sapucaí

O samba-enredo da Acadêmicos de Niterói contou a história de Lula desde a saída de Garanhuns até chegar a São Paulo com a família, a sua ascensão na política, como líder sindical e à Presidência da República, pela terceira vez.

O PL, o Novo, parlamentares de oposição, entre os quais, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à presidência da República, anunciaram uma ofensiva judicial com mais de uma dezena de ações que acusam possível propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder político. A reboque, também há alegações de preconceito religioso, que tentam jogar Lula contra evangélicos, retratados no enredo da escola, o que leva o caso para a Justiça comum.

Os juristas estão divididos em relação ao potencial de responsabilização. Alguns especialistas avaliam que as manifestações da escola de samba podem ser enquadradas como propaganda antecipada, em decorrência do jingle e de temas abordados pelo enredo, como fim da escala 6 por 1 e o tema da soberania nacional, que vão ser usados na campanha.

Outros juristas consideram que não houve menção às eleições de 2026 nem pedido de votos. Na avaliação deles, o enredo foi uma manifestação cultural, como outras em que escolas que historicamente homenagearam líderes políticos – Getúlio Vargas, JK e o próprio Lula.

A acusação quanto ao abuso do poder econômico, também é rechaçada por um grupo de juristas, que consideram que escolas são financiadas por diversas fontes, entre elas, o governo federal, que distribui igualitariamente entre as concorrentes os mesmos recursos. Cada escola é livre para escolher o seu próprio enredo.

De qualquer forma, a polêmica está posta. A homenagem espontânea da escola deu argumentos para a oposição gerar pauta nas mídias e abre brecha para uma discussão judicial que vai parar no colo da Justiça Eleitoral. Carnaval é assim, nem sempre sabe-se como começa e menos ainda como termina.

O ex-presidente Itamar Franco que o diga. Em 1994 ele foi fotografado em camarote da Sapucaí ao lado da modelo Lilian Ramos. O ângulo da foto exibiu a modelo aparentemente sem calcinha. Um escândalo à época. Itamar declarou que não tinha como saber previamente desse detalhe íntimo. E num país machista em que homens públicos gostam de posar ao lado de corpos jovens e malhados, as imagens não lhe fizeram mal. O caso de Lula é outro. Abre uma brecha para um debate que mais beneficia a oposição do que à própria campanha dele.

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Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora

A opinião deste artigo é do articulista e não reflete, necessariamente, a posição da Itatiaia.

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