Bertha Maakaroun | Qual efeito tem a pausa nas articulações da candidatura de Cleitinho sobre a sucessão mineira?

O senador foi doador de medula há 18 anos do irmão mais novo e, no momento, quer se dedicar ao tratamento dele

Durante sessão no Senado na terça-feira (3), Cleitinho pediu ‘um tempo’ nas tratativas sobre as eleições para se dedicar ao tratamento de saúde do irmão

Líder nas pesquisas de intenção de voto ao governo de Minas, o senador Cleitinho (Republicanos), muito emocionado, mencionou a leucemia do irmão mais novo para suspender, pelo momento, as conversas em torno da sucessão estadual.

Há 18 anos o parlamentar foi doador de medula de seu irmão. Do ponto de vista pessoal, é esperado esse posicionamento. Do ponto de vista político, a pausa de Cleitinho joga em banho maria o processo de organização das candidaturas ao governo de Minas.

A indefinição segue porque os dois principais campos políticos – o bolsonarismo e o lulismo – ainda não indicaram a quem irão apoiar. Cleitinho é uma das apostas do bolsonarismo raiz, que acredita ter, nessa candidatura, a possibilidade de um palanque estruturado para o senador Flávio Bolsonaro (PL) em Minas, com dois nomes ao Senado Federal, o do deputado federal Domingos Sávio (PL) e o do deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL).

Ao mesmo tempo, a eventual candidatura de Cleitinho tem sido, desde o ano passado, alvo de interesse do vice-governador Mateus Simões (PSD), que segue articulando pela desistência dele. Esse movimento acontece porque se continuar na disputa, Cleitinho deixaria Mateus Simões espremido entre o eleitorado do bolsonarismo raiz – campo que o vice-governador orbita – e o centro político, que neste momento tem outras ofertas de candidaturas.

Do outro lado da disputa está o campo político de Lula, também indefinido, que aposta na candidatura de centro direita do senador Rodrigo Pacheco (PSD). Neste momento, o senador faz movimentos articulados com a direção nacional do União para se filiar à legenda. Antonio de Rueda, presidente nacional do partido, esteve em Belo Horizonte esta semana, em conversas com o deputado federal Rodrigo de Castro (PSD) e com Guilherme Daltro, secretário municipal de Governo, além do prefeito Álvaro Damião (União), cotado para assumir o comando da Federação União-PP em Minas.

Ainda não há definição se Pacheco será candidato. Estão certas, nesse campo, as candidaturas ao Senado Federal da prefeita de Contagem, Marília Campos (PT) e de Alexandre Silveira (PSD), ministro das Minas e Energia. O palanque do presidente Lula pode se estruturar em torno delas. Silveira tende a se filiar ao PSB do prefeito de Recife João Campos, que também esteve em Minas nesta terça-feira. Mas a eventual filiação de Silveira se dará no último minuto do prazo de definições para as candidaturas, que é 5 de abril.

O ministro avalia que a depender da movimentação na sucessão presidencial da terceira via do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, o PSD de Minas pode deixar de ser interessante ao vice-governador Mateus Simões, principalmente se Rodrigo Pacheco se filiar ao União.

Por tudo isso, as bandas e as marchinhas vão passar no Carnaval, mas a sucessão mineira vai seguir em modo aquecimento. Quem vai transformar tanta incerteza em expectativa de vitória é a pergunta que Nicolau Maquiavel faria, se aqui estivesse. Diria ele: “A fortuna (sorte, circunstâncias) é árbitra de metade das nossas ações, mas permite-nos governar a outra metade.”

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Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora

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