Líder nas pesquisas de intenção de voto ao governo de Minas, o senador Cleitinho (Republicanos), muito emocionado,
mencionou a leucemia do irmão mais novo para suspender, pelo momento, as conversas em torno da sucessão estadual.
Há 18 anos o parlamentar foi doador de medula de seu irmão. Do ponto de vista pessoal, é esperado esse posicionamento. Do ponto de vista político, a pausa de Cleitinho joga em banho maria o processo de organização das candidaturas ao governo de Minas.
A indefinição segue porque os dois principais campos políticos – o bolsonarismo e o lulismo – ainda não indicaram a quem irão apoiar. Cleitinho é uma das apostas do bolsonarismo raiz, que acredita ter, nessa candidatura, a possibilidade de um
palanque estruturado para o senador Flávio Bolsonaro (PL) em Minas, com dois nomes ao Senado Federal, o do deputado federal Domingos Sávio (PL) e o do deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL).
Ao mesmo tempo, a eventual candidatura de Cleitinho tem sido, desde o ano passado,
alvo de interesse do vice-governador Mateus Simões (PSD), que segue articulando pela desistência dele. Esse movimento acontece porque se continuar na disputa, Cleitinho deixaria Mateus Simões espremido entre o eleitorado do bolsonarismo raiz – campo que o vice-governador orbita – e o centro político, que neste momento tem outras ofertas de candidaturas.
Do outro lado da disputa está o campo político de Lula, também indefinido, que
aposta na candidatura de centro direita do senador Rodrigo Pacheco (PSD). Neste momento, o senador faz movimentos articulados com a direção nacional do União para se filiar à legenda. Antonio de Rueda, presidente nacional do partido, esteve em Belo Horizonte esta semana, em conversas com o deputado federal Rodrigo de Castro (PSD) e com Guilherme Daltro, secretário municipal de Governo, além do prefeito Álvaro Damião (União), cotado para assumir o comando da Federação União-PP em Minas.
Ainda não há definição se Pacheco será candidato. Estão certas, nesse campo, as candidaturas ao Senado Federal da
prefeita de Contagem, Marília Campos (PT) e de Alexandre Silveira (PSD), ministro das Minas e Energia. O palanque do presidente Lula pode se estruturar em torno delas. Silveira tende a se filiar ao PSB do prefeito de Recife João Campos, que também esteve em Minas nesta terça-feira. Mas a eventual filiação de Silveira se dará no último minuto do prazo de definições para as candidaturas, que é 5 de abril.
O ministro avalia que a depender da movimentação na sucessão presidencial da terceira via do
presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, o PSD de Minas pode deixar de ser interessante ao vice-governador Mateus Simões, principalmente se Rodrigo Pacheco se filiar ao União.
Por tudo isso, as bandas e as marchinhas vão passar no Carnaval, mas a sucessão mineira vai seguir em modo aquecimento. Quem vai transformar tanta incerteza em expectativa de vitória é a pergunta que Nicolau Maquiavel faria, se aqui estivesse. Diria ele: “A fortuna (sorte, circunstâncias) é árbitra de metade das nossas ações, mas permite-nos governar a outra metade.”