Bertha Maakaroun | O presidente da Assembleia irá para o TCE?

Tadeu Leite (MDB), nome cotado pelo campo lulista para construir uma candidatura de convergência ao governo de Minas é o nome de consenso para a Corte de Contas

Tadeu Martins Leite (MDB), o presidente da ALMG, é cotado para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG)

A disputa entre seis deputados estaduais pela segunda vaga aberta nesta legislatura para conselheiro do tribunal de contas abriu a temporada de guerra interna. Tadeu Leite (MDB) foi procurado pelos candidatos Ulysses Gomes (PT); Ione Pinheiro (União); Tito Torres (PSD); Sargento Rodrigues (PL); Wilson Batista (PSD) e Thiago Cotta (PDT). Ouviu deles que em seu favor, estariam dispostos a abrir mão de uma eleição disputada em plenário, com voto aberto.

Desde a abertura dos trabalhos legislativos de 2026, quando foi aberto o processo de eleição interna na Assembleia para essa vaga do tribunal de contas, os seis deputados concorrentes tentaram se organizar, conversando entre si numa tentativa de acordo. Perceberam que dali não sairia consenso, principalmente porque, das três vagas do TCE de prerrogativa da Assembleia, a primeira foi preenchida por Alencar da Silveira. Sobram duas.

Como havia a expectativa de que Tadeu Leite fosse o nome para a terceira vaga, nesse cenário, os deputados candidatos se viram diante de uma só vaga em disputa. Adiaram, pelo momento, a briga entre si, pedindo a Tadeu para ser o nome de consenso. O presidente da Assembleia ainda não respondeu. Mas interlocutores dele acreditam que esteja inclinado a aceitar.

A hipótese de Tadeu Leite como conselheiro do TCE tem consequências para sucessão mineira. Na ausência do senador Rodrigo Pacheco (PSD), nome de convergência no campo de oposição à candidatura de Mateus Simões (PSD), Tadeu Leite, que está no MDB, seria aquele com maior potencial de agregar as forças políticas da direita à esquerda em seu apoio.

Tadeu vinha sendo mencionado pelo presidente Lula (PT) como uma possibilidade de construção em Minas, estado chave em que o campo lulista ainda não tem um nome. Sem Tadeu, a pré-candidatura ao governo de Minas do MDB de Gabriel Azevedo se consolida dentro do partido.

O cenário eleitoral no estado segue em aberto, à espera não só de definições no campo da direita bolsonarista e no campo lulista, mas também, em relação ao leque de alianças. O PL mudou de liderança – o deputado federal Domingos Sávio, candidato ao Senado, deixa a presidência, que deve ser assumida pelo deputado federal Zé Vítor (PL) ou pelo presidente de honra, José Santana de Vasconcellos.

A legenda estará com Mateus Simões ou irá apoiar a candidatura ao governo de Minas do senador Cleitinho (Republicanos)? O União Brasil trocou de comando em Minas: saiu Marcelo de Freitas, politicamente afinado com a perspectiva de apoio a Mateus Simões e entra o deputado federal Rodrigo de Castro, aliado de Rodrigo Pacheco. Nesse novo cenário, com quem ficará a Federação União-PP em Minas? Quem será o nome do campo lulista? Abram alas, as incertezas querem passar.

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Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora

A opinião deste artigo é do articulista e não reflete, necessariamente, a posição da Itatiaia.

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