Já falamos nessa coluna sobre como performance e percepção influenciam a carreira feminina, pois o cérebro humano capta a imagem e leva poucos segundos para formar impressões inaugurais sobre uma pessoa. Não se trata apenas de aparência externa, mas de como interpretamos aquilo que usamos no corpo.
Diante disso, aliado às minhas pesquisas sobre mulheres, autoestima, coragem e mercado de trabalho, na semana passada me formei, na Escola de Moda Denise Aguiar, como consultora de imagem. Confesso que, inicialmente, pensei que o curso seria sobre paleta de cores, a construção de um armário para a sua rotina, inclusive profissional, e como escolher peças com maior durabilidade e qualidade dos materiais, tecidos e acabamentos.
Ocorre que, a grande surpresa foi entender, junto ao grupo de mulheres da turma, que a imagem pessoal carrega uma história. E, também, ver o quanto o potencial de cada uma aumenta quando se encontram em uma rede de apoio.
Cada escolha – a roupa, a cor, o corte, o detalhe – é atravessada por experiências vividas, contextos sociais, memórias emocionais e aprendizados silenciosos. Antes de ser estética, a imagem é narrativa. E toda narrativa carrega marcas do que já foi vivido.
Entendi que escolher não é neutro. Quando alguém escolhe uma roupa, raramente está apenas escolhendo o que gosta. Muitas vezes, escolhe o quanto quer se proteger ou se expor, o quanto se sente segura para ocupar espaços e o quanto acredita que merece ser vista. Há escolhas que nascer do prazer. Outras, do pertencimento. Outras nascem do medo. Algumas da afirmação. Outras da tentativa de invisibilidade.
A boa notícia é que o trabalho de consultoria pode apoiar a construir novas narrativas, baseadas naquilo que se deseja e como a pessoa pretende se apresentar para que o mundo a veja. Isso tem nome: enclothed cognition, conceito que descreve um fenômeno psicológico simples e poderoso: as roupas que vestimos influenciam nossos processos mentais, nosso comportamento e até o nosso desempenho, moldando atitudes, foco e postura.
Isso me fez refletir sobre como o que vivemos se conecta, de forma e profunda, com a presença feminina no mercado de trabalho. Em espaços ainda atravessados por desigualdades, expectativas contraditórias e julgamentos rápidos, a imagem não é um detalhe: é uma linguagem de posicionamento, afirmação e, cada vez mais, de escolhas conscientes. Quando a mulher compreende que sua imagem carrega história, mas não precisa ficar presa a ela, abre-se a possibilidade de ocupar o presente com mais intenção.
A ideia não é anular narrativas, nem impor padrões, e sim, devolver autonomia. É permitir que a mulher alinhe quem ela é, o que viveu e onde quer chegar, se tornando protagonista, fortalecendo sua presença sem silenciar sua identidade. E, quando mulheres fortalecem a sua rede de apoio e passam a ocupar o mercado de trabalho com mais consciência, coerência e segurança sobre quem são, não é apenas a imagem que transforma: é o próprio ambiente que começa a mudar.
Ana, Dani, Elaine, Eliane, Ingrid, Jéssica, Rhanna e Rose, agradeço por dividirem comigo a história de vocês! A Aline, Amanda, Fernanda, Pâmela e Sabrina, o meu muito obrigada!