Bertha Maakaroun |O que significa a pontuação do Brasil no Índice de Percepção da Corrupção?

O Brasil registrou 35 pontos no indicador da Transparência Brasil, com desempenho próximo similar à Argentina, o Sri Lanka, Belize, Ucrânia

A Praça dos Três Poderes, em Brasília

Numa escala crescente que vai de 0 a 100 pontos, o Brasil segue com 35 pontos; em 2024, havia marcado 34 pontos. Considerando o ranking de 182 países analisados, ocupa a posição 107, com desempenho próximo à Argentina, o Sri Lanka, Belize, Ucrânia. Os países que mais pontuam nesse índice são Dinamarca, Finlândia e Cingapura, registrando entre 84 e 89 pontos. No extremo oposto estão Somália e Sudão do Sul, nas últimas posições, com 9 pontos cada. Em média, os 182 países analisados pelo índice registram 42 pontos, portanto, por esse indicador, o Brasil apresenta desempenho abaixo da média global.

O Índice de Percepção da Corrupção é considerado o principal ranking internacional sobre corrupção. Não se trata de um índice que mede casos concretos de corrupção, mas foca em algo mais abstrato, a dimensão da percepção da corrupção, um sentimento que está de certa forma, associado também à maior ou menor confiança nas instituições.

No Brasil, os dados são coletados de oito fontes independentes que captam a percepção de especialistas, pesquisadores, executivos e instituições que acompanham a integridade pública nos três poderes: no Executivo, no Legislativo e no Judiciário.

Em 2025, o relatório Retrospectiva da Transparência Brasil chama atenção e elogia, por um lado, importante reação do estado brasileiro no enfrentamento e responsabilização na tentativa de golpe de estado. Por outro lado, o documento aponta, o avanço do crime organizado revelado por operações de grande impacto, como a Operação Carbono Oculto, que expôs esquema sofisticado de lavagem de dinheiro do crime organizado.

No Poder Judiciário, o relatório indica conflitos de interesse, privilégios institucionais e casos graves investigados de vendas de sentença. E no Poder Legislativo, são abordados temas que integram um novo capítulo do chamado orçamento secreto, envolvendo a destinação de emendas, além de tentativas de blindagem política, a agenda ambiental no Congresso e a infiltração do crime organizado no espaço institucional.

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Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora

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