Difícil responder a essas perguntas. Certamente, o objetivo é prevenção. Identificar anemia, pré-diabetes, colesterol elevado, gordura no fígado, alteração assintomática nos rins, faz muita diferença para garantir uma boa saúde. Principalmente, quando o achado laboratorial é um ponta pé inicial para a melhora de hábitos de vida.
É muito difícil definir a periodicidade necessária para check-up em adultos jovens saudáveis. Quando se trata de triagem de algumas doenças, sobretudo alguns cânceres, tais como de colo de útero; próstata; mama e intestino, as organizações de saúde definem, claramente, quando e em quem realizar exames laboratoriais e de imagem (isso poderá ser um assunto para uma coluna de saúde futura!).
Devo fazer consulta, todos os anos?
Mas, e a consulta anual? E os exames de sangue, urina e fezes? Não há uma definição adequada para se evitar excessos e não pecar pela falta. Devemos sempre individualizar. Saber os hábitos dos pacientes e a história de saúde dos familiares próximos é um bom começo.
Quais seus hábitos de vida?
Faz muita diferença informar se você é tabagista (há quanto tempo e quantidade de cigarros); se abusa de álcool; se faz atividade física (qual tipo e quantas vezes); se sua alimentação é saudável ou se há excesso de carboidratos e gorduras; se há restrições alimentares, tais como lactose, glúten, vegetarianismo ou veganismo; qual a qualidade de seu sono; como é o estresse no trabalho; como é sua vida emocional; se já possui algum diagnóstico de saúde ou usa medicamentos.
Qual sua ‘carga genética’?
Também é necessário saber se seus familiares (pai, mãe, irmãos, tios e avós) possuem diagnóstico de hipertensão, diabetes, colesterol elevado, doenças dos rins ou fígado, asma, cânceres, infarto, derrame, trombofilia, aneurisma cerebral, doenças reumatológicas ou outras. Essas informações podem dar pistas para o profissional definir, com melhor precisão, o que deve solicitar. E muitos pacientes não sabem responder, quando questionados, durante a consulta.
O brasileiro faz exames em excesso!
Não há dúvidas que, no Brasil, há o hábito de se pedir exames laboratoriais em excesso. Fazemos solicitações a mais, aos olhos da principal entidade de saúde de medicina preventiva norte-americana.
A US Preventive Services Task Force (USPSTF) não recomenda um check-up laboratorial completo de rotina para adulto jovem assintomático, anualmente. Mas sugere avalições específicas, baseadas em idade e fatores de risco. E essas recomendações estão bem distantes da nossa prática médica.
Definições da USPSTF, de acordo com grupos específicos
Pressão Arterial: a cada 3-5 anos, se paciente baixo risco. Anual, se risco aumentado (se história familiar positiva; sobrepeso ou obesidade; tabagista; diabético, etc).
Colesterol: aos homens com 35 anos ou mais; às mulheres com 45 anos ou mais. Antes dessa idade, se sobrepeso ou obesidade; diabético; tabagista, hipertenso; histórico familiar de AVC ou infarto, em parente com menos de 65 anos.
Diabetes: em adultos de 35 a 70 anos, com sobrepeso ou obesidade. Antes disso, se houver fator de risco, tais como história familiar.
HIV: entre 15 a 65 anos: pelo menos uma vez ao ano. Fazer mais regular, se comportamento de risco sexual aumentado.
A USPSTF não recomenda hemograma anual; TSH para tireoide, sem sintomas; creatinina para rim anual; vitamina D de rotina. Muito menos check-up anual.
Enquanto não se encontra o equilíbrio, minha sugestão é focar na prevenção: atividade física 150 minutos semanais; evitar excesso de carboidratos e gorduras; cessar tabagismo; não usar ou utilizar álcool com moderação. Isso, sim, fará toda a diferença para sua saúde!