Os portadores de fibromialgia costumam consultar com diversos médicos até terem a definição do diagnóstico. Esse processo demora até cinco anos, em alguns casos, segundo os especialistas. Dores generalizadas e crônicas, fadiga intensa, sono não reparador, dificuldade de concentração e memória são alguns dos sintomas que integram o quadro da doença.
Quem sofre dessa condição ganhou um aliado, no início desse ano. A lei federal 15.176 estabelece um programa nacional para fibromialgia e enfermidades relacionadas, com foco em atenções clínica, social e laboral.
O que é fibromialgia?
É uma doença comum. Atinge cerca de 2,5% da população mundial, sendo mais frequente em mulheres a partir de 30 anos. Caracteriza-se por dores, em ambos lados do corpo e regiões acima e abaixo da cintura, além dos sintomas já citados.
O reumatologista é o médico mais habilitado ao diagnóstico, mas qualquer profissional de saúde deve desconfiar do quadro.
A definição é clínica e o especialista usa um índice de dor para caracterizar acometimento em 19 regiões do corpo e uma escala de severidade dos demais sintomas, como dor de cabeça, tontura, formigamentos, rigidez muscular, sensibilidade à luz, som, toque e náuseas. Também podem ser encontrados distúrbios do humor, como ansiedade e depressão.
Qual é a causa?
Não é totalmente esclarecida. A principal hipótese é que os pacientes apresentam uma alteração na percepção de sensação de dor. Alguns portadores de fibromialgia desenvolvem o quadro após ocorrência de um gatilho, como uma dor severa tratada inadequadamente; um trauma físico ou uma doença grave. O sono alterado, os problemas de humor e concentração parecem ser causados pela dor crônica, e não ao contrário.
Outras doenças devem ser excluídas
O diagnóstico é feito pelo relato do paciente e por exame físico. Alguns exames laboratoriais são solicitados somente para afastar outras condições que podem causar sintomas semelhantes. Na fibromialgia, não há alteração dos exames que indicam processo de inflamação no corpo, como VHS ou a proteína C reativa. Caso solicite exames de imagem, o médico deve interpretar o resultado com cuidado, pois nem sempre os achados em radiografias, por exemplo, são a causa da dor do paciente.
Como tratar?
O objetivo é aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. Os pacientes não costumam acreditar, mas o principal tratamento é o exercício aeróbico – sobretudo o que movimenta todo o corpo e acelera os batimentos do coração.
A Sociedade Brasileira de Reumatologia pontua que a atividade física tem o objetivo de reverter a sensibilidade aumentada à dor, provocada pela fibromialgia. A entidade reforça também que a doença não provoca deformidades ou sequelas nas articulações e nos músculos. Outro foco importante do tratamento é a terapia psicológica. O paciente deve compreender a doença e aprender a lidar com a dor crônica.
Medicações podem ser usadas, com foco na diminuição da dor, na melhora do sono e na disposição, inclusive para possibilitar o início de exercícios físicos. Algumas drogas, como a pregabalina e a duloxetina, agem na sensibilidade à dor. Outros remédios, como relaxantes musculares, antidepressivos e analgésicos podem ser usados para alívio de sintomas diversos.
O conhecimento é a fonte para melhorar a vida de quem tem fibromialgia.