Bispo relata Bolsonaro depressivo, com soluços e tontura após assistência religiosa

Robson Rodovalho comenta quadro de saúde delicado do ex-presidente e avalia que chapa Tarcísio-Michelle seria mais viável contra Lula

Bispo Robson Rodovalho

O bispo Robson Rodovalho iniciou nesta sexta-feira (30) a assistência religiosa ao ex-presidente Jair Bolsonaro, após autorização para atuar como assistente espiritual durante o período de prisão.

Em entrevista exclusiva à Rádio Itatiaia, o líder religioso relatou preocupação com o estado de saúde física e emocional de Bolsonaro e revelou conversas sobre o futuro político da direita. Segundo Rodovalho, a primeira visita ocorreu das 10h30 às 11h30 e teve caráter inicial, para reconhecimento do local e dos protocolos impostos pela unidade prisional.

A assistência religiosa foi autorizada duas vezes por semana, às terças e sextas-feiras. Rodovalho ficou responsável pela sexta-feira, enquanto o pastor Thiago Manzoni deve atuar às terças.

O bispo descreveu Bolsonaro como abatido e com sinais claros de depressão. De acordo com ele, o ex-presidente apresentava soluços contínuos, sonolência, tontura e dificuldade de locomoção, possivelmente em razão da medicação: “Ele não tinha tomado café, estava sonolento, tinha se recostado novamente. Quando tentou se levantar, precisava apoiar a mão. Caso contrário, poderia cair. É efeito de medicamentos fortes, que causam muito mal-estar e tontura”, afirmou.

Rodovalho avaliou que, apesar de o ambiente atual ser ligeiramente melhor do que o anterior, o confinamento e a ausência da família agravam o quadro emocional. “É uma cela, não é um lugar agradável. É confinado, difícil manter rotina e medicação adequada. Isso impacta diretamente o estado mental”, disse.

O líder religioso falou sobre o estado emocional de Bolsonaro: “Eu acho que ele está depressivo. Ele está melhor porque o ambiente é um pouco melhor, mas é visível. O corpo reage à desesperança, à incerteza, à perda de horizonte”, afirmou.

Durante a visita, Rodovalho realizou leitura bíblica e oração. Segundo ele, Bolsonaro fez questão de recebê-lo assim que soube da visita: “Quando ouviu os guardas dizendo que eu estava lá, ele se levantou para me receber”, relatou.

O bispo revelou ainda que conversou com Bolsonaro sobre o cenário político e as eleições presidenciais. Segundo Rodovalho, o ex-presidente afirmou estar tranquilo e não demonstrou vontade imediata de voltar ao cenário eleitoral, mas reconheceu que apesar de não se preocupar com isso, Flávio Bolsonaro “quer” a Presidência: “Eu perguntei ao presidente sobre isso, e ele disse: ‘não estou pensando nisso agora, estou tranquilo’. Mas deixou claro que o Flávio quer concorrer”, afirmou.

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Rodovalho avaliou que Bolsonaro, neste momento, está focado na própria sobrevivência física e emocional. “Ele está voltado para sobreviver. Claro que ele é um grande mentor e vai influenciar, mas agora o foco é outro”, disse.

Durante a entrevista, Rodovalho também comentou o cenário da direita para 2026 e destacou o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Para o bispo, uma eventual chapa formada por Tarcísio e Michelle Bolsonaro seria mais competitiva: “Tarcísio é um homem do Executivo, tem experiência, foi testado nas pesquisas. A chapa Tarcísio-Michelle é respeitável. Não garante vitória contra o presidente Lula, que é experiente e tem a máquina na mão, mas parece mais viável”, afirmou. Segundo ele, caso Tarcísio não queira ou não possa disputar, Flávio Bolsonaro surge como alternativa dentro do campo bolsonarista.

Rodovalho acredita que Bolsonaro tende a retomar gradualmente a articulação política, mesmo na cadeia, à medida que o Congresso reinicia os trabalhos e novas autorizações de visitas políticas são concedidas: “Eu disse a ele que precisa se fortalecer para continuar sendo mentor da direita. Ele ainda é fundamental para conduzir esse processo”, afirmou.

A assistência religiosa, segundo o bispo, seguirá com foco espiritual e emocional: “Meu papel é levantar a fé, a mente e ajudar a mudar a realidade. Um ex-presidente não pode se afogar em desesperança”, concluiu.

Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

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