Ensino de mandarim e cultura chinesa em escolas são propostos em projeto na Câmara de BH

Projeto de Lei quer instituir o Programa Municipal de Mandarim e Cultura Chinesa na capital mineira

Justificativa do projeto aponta relações comerciais entre Brasil e China, com destaque para o comércio com Minas Gerais

Um projeto de lei (PL) para o ensino do mandarim e a difusão da cultura chinesa em escolas, centros culturais e bibliotecas e demais espaços públicos de ensino de Belo Horizonte foi protocolado na Câmara Municipal da capital mineira às vésperas da retomada das atividades da Casa neste ano.

O texto foi apresentado pelo vereador Pedro Rousseff (PT) e propõe a oferta de cursos de mandarim em diferentes níveis de proficiência; a formação de professores e instrutores capacitados; a realização de festivais, feiras e semanas temáticas; e a criação de espaços de imersão, como clubes de caligrafia, culinária, xadrez e artes marciais.

Como forma de viabilizar o programa, o parlamentar argumenta que a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) pode celebrar acordos de cooperação técnica e cultural com universidades e instituições de pesquisa. Rousseff ainda destaca que BH já tem um histórico de aproximação com a China como a recente aprovação do Dia Municipal de Comemoração Sociocultural Ibrachina — proveniente de outro texto de autoria do vereador petista.

Na justificativa para o texto, Rousseff apresenta também uma argumentação econômica baseada no fato de que a China é a principal parceira comercial do Brasil e de Minas Gerais.

“Em 2025, de acordo com o relatório Panorama do Comércio Exterior de Minas Gerais, a China consolidou se como o maior parceiro comercial mineiro, responsável por 35% de todas as exportações estaduais, o equivalente a US$ 15,9 bilhões – um crescimento de 3,7% em relação ao ano anterior. Esse protagonismo econômico se conecta diretamente com Belo Horizonte e sua região metropolitana, que responderam, no mesmo período, por 38,3% das exportações mineiras, totalizando US$ 15,8 bilhões”, diz trecho do projeto.

Aproximação entre a PBH e a China

Em setembro do ano passado, a Prefeitura de Belo Horizonte apresentou Qu Cheng como novo chefe da Secretaria de Relações Institucionais do Executivo Municipal. O secretário é nascido na China e é especialista em relações internacionais e já foi presidente da China Railway Engineering Group (CREC) no Brasil.

No mês seguinte, acompanhado de Cheng, o prefeito Álvaro Damião (União Brasil) fez uma viagem oficial à China, onde angariou recursos para obras no Anel Rodoviário Celso Mello Azevedo.

As verbas foram conseguidas junto ao Banco de Desenvolvimento dos Brics, sediado em Xangai e presidido por Dilma Rousseff (PT), ex-presidente do Brasil e tia de Pedro Rousseff, proponente da lei que institui o Programa Municipal de Mandarim e Cultura Chinesa.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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