Comissões da Câmara devem repetir divisão partidária do ano passado

Hugo Motta propõe a estratégia para acelerar votações em ano eleitoral; os presidentes serão definidos na primeira semana de fevereiro após acordo entre líderes

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta

A Câmara dos Deputados deve instalar e eleger as comissões permanentes já na próxima semana, com tendência de manter a mesma divisão partidária adotada no ano passado no comando dos colegiados. A decisão foi discutida em reunião de líderes nesta quarta-feira (28) e faz parte de um acordo articulado pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), para acelerar os trabalhos legislativos em um ano marcado pelo calendário eleitoral.

Pelo entendimento construído entre as bancadas, os partidos seguirão à frente das mesmas comissões que comandaram em 2025, ficando a cargo de cada legenda a indicação dos novos presidentes. A avaliação de líderes é de que a manutenção do desenho atual reduz disputas internas e permite concentrar o debate nas pautas prioritárias do plenário.

Segundo o líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), a proposta apresentada pela Presidência da Câmara foi acolhida de forma unânime: “A composição das comissões. E foi aprovada a proposta de manutenção dos mesmos partidos presidindo as comissões. Só mudam os nomes. Mas aquilo que cada partido teve até agora nas comissões será repetido.”

Guimarães afirmou ainda que as bancadas devem se reunir nos próximos dias para definir os nomes que irão comandar os colegiados e que a expectativa é de que todas as comissões estejam instaladas antes do Carnaval.

Apesar da manutenção do arranjo geral, haverá ajustes pontuais. Pela negociação em curso, a Comissão Mista de Orçamento ficará sob comando do PSD, assim como a Comissão de Agricultura. Já a Comissão de Minas e Energia deve passar para o PL, após acordo de permuta entre as duas legendas.

A Comissão de Constituição e Justiça, considerada a mais importante da Casa, continuará sob presidência do União Brasil. O líder do PT, deputado Lindbergh Farias (RJ), afirmou que houve compromisso para a escolha de um nome com perfil moderado: “Houve um acordo que eu acho que é interessante. A CCJ vai ficar com o União Brasil, mas com um nome moderado, alguém que dialogue com todos os lados. Se for o Leur Lomanto Júnior, eu acho um nome bem equilibrado.”

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A decisão de evitar o rodízio tradicional no comando das comissões reflete a preocupação de líderes com o impacto das eleições municipais sobre a presença dos parlamentares em Brasília. A avaliação é de que a previsibilidade na composição dos colegiados pode dar mais fluidez às votações e reduzir impasses políticos no início do ano legislativo.

Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

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