Primeiras testemunhas em caso de cassação de Ganem não comparecem à Câmara de BH

Dona de imóvel que vereador alegou ser seu domicílio eleitoral e delegado da PF eram esperados na comissão processante, mas não compareceram

Lucas Ganem (Podemos) é alvo de processo de cassação por suspeita de fraude em domicílio eleitoral

As duas testemunhas com depoimento marcado para a manhã desta quinta-feira (29) na comissão que apura o processo de cassação do vereador Lucas Ganem (Podemos) não compareceram à Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH). Tanto o delegado da Polícia Federal (PF) que coordenou as investigações sobre uma possível fraude na candidatura do parlamentar como a dona do imóvel que ele ofereceu como endereço à Justiça Eleitoral eram esperados para as primeiras oitivas do caso.

Adriano Gechele de Freitas, titular da Delegacia de Defesa Social e Institucional da Polícia Federal em Minas Gerais, enviou um ofício antecipadamente comunicando o não comparecimento na comissão.

Já Fernanda Fraga Nogueira Duarte, esposa do dono do imóvel que Ganem apontou como domicílio eleitoral, não compareceu e não deu justificativas aos vereadores Edmar Branco (PCdoB), Bruno Miranda (PDT) e Helton Júnior (PSD), que compõem a comissão processante.

Ainda para esta quinta está previsto o testemunho do o controlador-geral da Câmara de BH, Leonardo Silveira Gusmão. Com depoimento marcado para às 14h, o representante do órgão de controle interno da Casa deve prestar esclarecimentos sobre a conduta e atividades de Ganem em seu primeiro ano de mandato.

A Comissão Processante averigua as denúncias de que Ganem fraudou o registro domiciliar em Belo Horizonte para participar da disputa por uma vaga na Câmara Municipal da capital mineira em 2024.

Com campanha e atuação em seu primeiro ano de mandato associada quase integralmente ao direito dos animais, Ganem é paulistano e, segundo as denúncias, viveu em São Paulo mesmo durante a campanha de 2024.

Em dezembro, a Justiça Eleitoral chegou a determinar a cassação de Ganem por fraude no domicílio eleitoral. A decisão acatou uma denúncia apresentada por Rubão, primeiro suplente do Podemos na Câmara.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) também emitiu parecer pela cassação de Ganem. O documento assinado pela promotora de Silvia Altaf da Rocha Lima Cedrola aponta que o vereador possuía vínculo profissional e residencial com São Paulo durante o período das eleições de 2024. O entendimento também argumenta que mesmo a Justiça Eleitoral teve dificuldades em encontrar o então candidato no endereço por ele declarado como sua casa em Belo Horizonte.

A defesa prévia apresentada por Lucas Ganem na comissão diz que a denúncia “não possui fundamento jurídico nem fático, configurando-se como mera manobra que tenta deslegitimar o denunciado perante o povo belo-horizontino”.

Leia também

Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

Ouvindo...