Em aviso a investidores, Zema define modelo de privatização da Copasa

Companhia de saneamento será privatizada por modelo de oferta secundária e recursos serão empregados no pagamento da dívida de Minas com a União

Processo de privatização da Copasa avança no Governo de Minas

Em comunicado dirigido aos acionistas e ao mercado na quarta-feira (28), o Governo de Minas determinou que Copasa será privatizada por meio de oferta secundária de ações e que os recursos obtidos com a operação serão destinados ao pagamento da dívida do Estado com a União, hoje avaliada em mais de R$ 180 bilhões.

O Governo de Minas é o acionista controlador da empresa com 50,03% das participações da Copasa e determinou que o processo de privatização se dará por meio de uma oferta pública de distribuição secundária de ações. Neste modelo, o estado venderá suas ações já existentes, sem a emissão de novos papéis pela companhia.

No documento enviado ao mercado, o governador Romeu Zema (Novo) afirma ainda que o processo de valuation ainda não foi finalizado e que a determinação do preço da Copasa está previsto para as próximas etapas da operação de privatização.

O Governo de Minas tentará maximizar o valor das ações durante o processo e trabalhará também para ampliar a oferta das ações junto a investidores internacionais, conforme as normas da Securities and Exchange Commission (SEC) dos Estados Unidos.

Um dos pontos da modelagem proposta pela gestão de Zema é a possibilidade de entrada de um investidor estratégico ao qual será alocado 30% do capital social da empresa. Esse investidor precisa comprovar capacidade financeira e expertise no setor de atuação da Copasa e deverá respeitar um período de proibição de vendas de ações — lock-up — de quatro anos para totalizar a participação adquirida.

A privatização da Copasa

A privatização da companhia de saneamento foi aprovada em dezembro do ano passado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) a partir do Projeto de Lei 4.380/2025, enviado à Casa pelo governador. O debate na Casa se deu no âmbito das discussões sobre o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e foi o mais polêmico e arrastado de um pacote com mais de dez propostas.

O PL 4.380/2025 teve sua tramitação precedida por uma atribulada discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/2023, também de autoria de Zema, que derrubou a exigência de um referendo popular para autorizar a privatização da Copasa.

A privatização da Copasa, bem como da Gasmig e da Cemig, já integrava a pauta do governo Zema desde o primeiro mandato, mas ganhou novo fôlego com a criação do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Com o projeto permitindo a privatização e federalização de ativos como forma de pagar a dívida com a União, vários projetos da pauta privatista do Executivo andaram na Assembleia após anos parados, incluindo os imóveis do estado.

O Propag prevê que estados refinanciem em 30 anos a dívida com a União e estabelece mecanismos para reduzir os juros cobrados sobre as parcelas. O projeto do Executivo Estadual é ingressar no programa abatendo 20% do estoque devido. Para obter o valor necessário na amortização da dívida, o Executivo enviou projetos para federalizar ou privatizar estatais à Assembleia.

Hoje os juros são indexados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais 4% ao ano. Se o estado conseguir amortizar 20% do estoque da dívida, dois pontos percentuais da cobrança adicional são abatidos.

Outro ponto percentual pode ser abatido com o compromisso de que a economia obtida com essa redução de juros seja reinvestida no estado. O uso do valor que não será pago em forma de dívida deve, portanto, ser aplicado em ações de segurança pública, ensino profissionalizante, infraestrutura e outras áreas nevrálgicas da estrutura do estado. A venda da Copasa foi defendida como forma de obter recursos para fazer tais investimentos no primeiro ano de adesão ao Propag.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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