Infraestrutura precária afasta empresas e limita o desenvolvimento econômico

Problemas em estradas, energia e saneamento impactam saúde, emprego e a decisão de onde empresas se instalam

Infraestrutura precária afasta empresas e limita o desenvolvimento econômico

Estradas em más condições podem dificultar a instalação de sedes empresariais em determinados municípios. Se uma empresa avalia que o acesso rodoviário a uma cidade é precário, pode optar por instalar sua unidade em outro local. Quedas frequentes de energia também afetam o comércio e a indústria, que podem reduzir a produção ou até encerrar as atividades. Problemas de saneamento são outro entrave, já que contribuem para o aumento de doenças e, consequentemente, das faltas ao trabalho.

Mudar essa realidade passa por obras de infraestrutura nos municípios, que também geram empregos. Segundo o último Boletim de Infraestrutura da Fundação Getúlio Vargas (FGV), cada R$ 1 milhão investido na construção civil pode gerar até 33 novos postos de trabalho.

Desse modo, a infraestrutura está diretamente ligada à economia, à geração de emprego e à renda.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) e do Sebrae Minas, Marcelo de Souza e Silva, afirma que o empreendedor depende da infraestrutura para movimentar o negócio.

“Há uma preferência por fornecedores mais próximos, para ele ter acesso à mercadoria mais rápido. Um fornecedor mais distante poderia ter um custo menor de aquisição, mas ele não consegue repassar isso para o cliente. Então tudo isso impacta diretamente na gestão da empresa, no funcionamento do dia a dia, nos custos que ele tem. Ele não consegue expandir o negócio, melhorar, implementar uma tecnologia diferenciada e também não consegue gerar mais empregos”, detalha.

Marcelo de Souza e Silva, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) e do Sebrae Minas

Infraestrutura na saúde

Além disso, o investimento em infraestrutura impacta até indicadores sociais, empregabilidade e saúde. É o que afirma o diretor da Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário de Minas Gerais (Arsae-MG), Samuel Barbi.

“Com um bom saneamento, há menos casos de diarreia e menos doenças de veiculação hídrica, e isso faz com que as pessoas faltem menos ao trabalho. Acho que esse é um ponto muito importante, que reflete também nas crianças. Porque o efeito nelas não é só a falta ao trabalho dos pais, mas a falta às aulas”, afirma.

Samuel Barbi, diretor da Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário de Minas Gerais (Arsae-MG)

O investimento em estradas significa desenvolvimento social, segundo o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa.

“Cabe ao poder público, com recursos estaduais ou federais, investir nas regiões mais pobres para promover o desenvolvimento econômico e social, principalmente. Porque onde há infraestrutura de transporte, o capital é atraído”, afirma.

Vander Costa, presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT)

Energia e produção

A infraestrutura de distribuição e transmissão é fundamental para a chegada da energia elétrica às residências e ao comércio. O consultor em energia Sérgio Pataca explica que falhas no abastecimento causadas por deficiências na rede têm impacto direto no setor produtivo.

“A indústria e o comércio não vão para lugares que não tenham energia constante e de qualidade. Isso é um fator de desenvolvimento. Como uma indústria 5.0, com implementação de inteligência artificial, vai para um lugar que tem variações de tensão e de qualidade de energia?”, questiona.

Sérgio Pataca, consultor em energia

O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Emir Cadar Filho, ressalta que, para as empresas, o custo logístico é fator decisivo ao analisar onde instalar novas fábricas.

“Não adianta fabricar o melhor remédio, tecido ou produto industrial em um local de onde não consigo escoar a produção para portos e grandes centros consumidores. A infraestrutura é 100% definidora na escolha de onde instalar a indústria”, pontua.

Emir Cadar Filho, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg)

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.
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