Para Ramon Cunha, especialista em infraestrutura da CNI, o protagonismo da iniciativa privada é uma resposta direta à baixa capacidade de investimento do poder público. Segundo ele, nas últimas décadas o Brasil tem aplicado entre 0,4% e 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) por ano em transportes, percentual considerado insuficiente.
“Estimativas indicam que os investimentos deveriam alcançar cerca de 2,2% do PIB ao ano para que o país tivesse uma infraestrutura adequada. Nesse cenário, o capital privado exerce papel fundamental, especialmente diante das atuais restrições fiscais”, afirma.
Ramon Cunha, especialista em infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (CNI
Na avaliação de Camilo Fraga, sócio-fundador e diretor do Grupo Houer, uma das maiores empresas de consultoria em projetos de infraestrutura e a maior verificadora independente de projetos do Brasil, a ampliação da participação privada também está ligada a mecanismos de incentivo, como as debêntures incentivadas. Esses títulos permitem que empresas financiem obras de infraestrutura e recebam retorno com benefícios fiscais.
“Hoje o investimento privado é fundamental para a infraestrutura no Brasil, já superando a parte pública. Existem instrumentos que foram importantes para que a participação privada alcançasse um volume muito maior do que a pública. Um dos principais são as debêntures incentivadas, que foram fundamentais para atrair recursos privados para a infraestrutura. Isso também ocorre em outros países. O papel do setor público é, principalmente, atuar em projetos onde não há atratividade para o mercado privado. Onde há atratividade, é melhor que o recurso privado seja executado”, detalha Camilo Fraga.
Camillo Fraga, sócio-fundador e diretor do Grupo Houer
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