Toffoli admite que parte do caso Master pode voltar à primeira instância

Ministro é alvo de críticas por manter caso no STF e por suspeitas de vínculos indiretos com investigados

Ministro Dias Toffoli, do STF

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), admitiu nesta quinta-feira (29) a possibilidade de enviar parte das investigações sobre o Banco Master de volta à primeira instância, caso seja verificado que não há mais investigados com foro privilegiado. A sinalização foi feita em meio às pressões e questionamentos sobre a permanência do caso na Suprema Corte.

O inquérito chegou ao STF após a defesa do dono do banco, Daniel Vorcaro, argumentar que trechos da investigação citavam um deputado federal. Com isso, Toffoli decidiu que a competência para supervisionar o caso passaria ao Supremo. A medida retirou o processo da primeira instância e concentrou as diligências na Corte, o que gerou críticas de que o foro teria sido ampliado de forma indevida, e se somaram após a decretação de sigilo imposta sobre o caso.

Diante das críticas, o ministro, através de seu gabinete, divulgou uma nota no início da tarde esclarecendo ponto a ponto sua atuação no caso. No texto, Toffoli admite que uma parte da investigação poderia continuar no STF, caso ainda haja autoridades com foro envolvidas, e outra poderia descer para a Justiça comum, onde o inquérito começou a tramitar.

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Ainda segundo a nota, Toffoli afirmou que foi escolhido como relator do caso por sorteio, e sustenta que manteve o sigilo para evitar vazamentos, validou medidas cautelares já adotadas e determinou diligências urgentes, incluindo depoimentos de investigados e de dirigentes do Banco Central.

O texto, divulgado pelo gabinete do ministro, também afirma que pedidos de nulidade apresentados pelas defesas, incluindo a de Daniel Vorcaro (então presidente do Banco Master) foram rejeitados.

O Banco Master teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025 e é investigado por um suposto esquema de fraudes financeiras. Vorcaro chegou a ser preso e atualmente está em prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica. A defesa afirma que ele colabora com as autoridades.

Atuação sob críticas

A atuação de Toffoli é alvo de questionamentos, seja pelas decisões incomuns ou pela relação do ministro com pessoas ligadas a instituição investigada. Reportagens do jornal Estado de São Paulo apontam que dois irmãos de Toffoli teriam sido sócios de um resort no Paraná que, posteriormente, teve participação vendida a um fundo associado a um parente de Vorcaro. Os familiares negam vínculo atual com o empreendimento.

O local também foi citado em reportagens como ponto de estadia frequente do ministro e de encontros com empresários e autoridades, o que ampliou o desconforto nos bastidores do STF. Até o momento, porém, não há decisão formal que reconheça impedimento ou suspeição do ministro no processo.

Antes disso, Toffoli também já havia sido criticado por viajar de jatinho para Lima, no Peru, para acompanhar a final da Libertadores, disputada entre Flamengo e Palmeiras - time do ministro. A bordo do avião estava um dos advogados do Banco Master.

Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

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