Donos de imóvel e delegado têm depoimento marcado em processo de cassação de Ganem

Prosseguimento do processo de cassação do parlamentar foi aprovado nesta quinta (8). Ganem é acusado de ter concorrido ao cargo sem ter jamais morado em Belo Horizonte

Vereador Lucas Ganem é alvo de denúncia por não ter domicílio eleitoral em Belo Horizonte durante as eleições

A retomada dos trabalhos da Comissão Processante que coordena as atividades da possível cassação do vereador Lucas Ganem (Podemos) está marcada para 29 de janeiro com a convocação de testemunhas cruciais para o caso. Estão na lista das oitivas os donos do imóvel que o parlamentar alegou ser seu domicílio eleitoral em BH para o pleito de 2024 e o delegado da Polícia Federal (PF) que coordenou as investigações sobre uma possível fraude na candidatura do legislador nascido em São Paulo.

Na manhã desta quinta-feira (8), a comissão aprovou o parecer pelo prosseguimento das atividades de investigação. Na mesma sessão, os vereadores Edmar Branco (PCdoB), Bruno Miranda (PDT) e Helton Júnior (PSD) aprovaram requerimentos intimando nomes da defesa e da acusação para prestarem depoimentos.

Entre os nomes listados estão os de Grijalva de Carvalho Laje Duarte Júnior e Fernanda Fraga Nogueira Duarte, apontados como donos do imóvel que Ganem citou como sua residência em BH na Justiça Eleitoral. Além deles, Adriano Gecheles de Freitas delegado da PF responsável pela investigação do caso, também deve ser ouvido ainda neste mês.

“No dia 29 de janeiro, vamos ouvir quatro testemunhas. Uma delas é o delegado da Polícia Federal que acompanha o inquérito sobre a fraude do endereço. Vamos ouvir também os donos do imóvel e uma pessoa indicada pelo indiciante”, disse o relator da comissão, Edmar Branco, à Itatiaia.

Na lista aprovada nesta quinta ainda constam todos os integrantes do gabinete de Ganem na Câmara de BH e a deputada federal e ex-presidente da Casa, Nely Aquino (Podemos).

Entenda o caso

A Comissão Processante averigua as denúncias de que Ganem fraudou o registro domiciliar em Belo Horizonte para participar da disputa por uma vaga na Câmara Municipal da capital mineira em 2024.

Com campanha e atuação em seu primeiro ano de mandato associada quase integralmente ao direito dos animais, Ganem é paulistano e, segundo as denúncias, viveu em São Paulo mesmo durante a campanha de 2024.

Em dezembro, a Justiça Eleitoral chegou a determinar a cassação de Ganem por fraude no domicílio eleitoral. A decisão acatou uma denúncia apresentada por Rubão, primeiro suplente do Podemos na Câmara.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) também emitiu parecer pela cassação de Ganem. O documento assinado pela promotora de Silvia Altaf da Rocha Lima Cedrola aponta que o vereador possuía vínculo profissional e residencial com São Paulo durante o período das eleições de 2024. O entendimento também argumenta que mesmo a Justiça Eleitoral teve dificuldades em encontrar o então candidato no endereço por ele declarado como sua casa em Belo Horizonte.

A defesa prévia apresentada por Lucas Ganem na comissão diz que a denúncia “não possui fundamento jurídico nem fático, configurando-se como mera manobra que tenta deslegitimar o denunciado perante o povo belo-horizontino”.

Leia também

Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

Ouvindo...