Com cartazes em defesa da Venezuela, manifestantes relembram 8 de janeiro em BH

Manifestantes, integrantes de partidos políticos e movimentos sociais se reuniram na praça Fuad Noman, no Centro de Belo Horizonte, para relembrar os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023

Ato em alusão ao 8 de janeiro em Belo Horizonte

Manifestantes, integrantes de partidos políticos e movimentos sociais se reuniram na praça Fuad Noman, no Centro de Belo Horizonte, para relembrar os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.

Com cartazes a favor do veto do presidente Lula (PT) ao Projeto de Lei (PL) da Dosimetria — que favorece os condenados pela tentativa de golpe, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) —, o protesto também contou com bandeiras e faixas em defesa da Venezuela e contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Sem menção ao nome de Nicólas Maduro, líder venezuelano capturado por militares dos EUA no último sábado (3), os manifestantes pedem a soberania dos povos, em especial, os da América Latina.

Leia também

Para a presidente estadual do PT, deputada Leninha, que esteve presente no ato em BH, o gesto de apoio à Venezuela ultrapassa a discussão sobre Maduro. De acordo com ela, a legalidade das eleições “é outro problema”, mas ressaltou que a ação, liderada pela Casa Branca, é um “alerta” para a criação de democracias mais fortes.

“Cada país tem autonomia para discutir suas eleições internas. Não é possível que em pleno século XXI a gente tenha que acompanhar o que aconteceu na Venezuela”, afirmou.

Além de Trump, outro alvo de críticas foi o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Veto ao PL da Dosimetria

O presidente Lula escolheu a data simbólica do 8 de janeiro de 2026 para vetar, oficialmente, o PL 2.162/2023 — aprovado no Congresso. O texto, em linhas gerais, reduz as penas para os envolvidos e condenados pelos crimes relacionados aos atos antidemocráticos de 2023, incluindo ministros do alto escalão do governo Bolsonaro, além do próprio ex-presidente.

A rejeição foi assinada no Palácio do Planalto para relembrar os três anos da tentativa de golpe.

Um dos pontos centrais do projeto é a cumulação de penas nos crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A proposta impede a soma das penas desses delitos quando cometidos em um mesmo contexto.

Outra mudança é a possibilidade de redução de um a dois terços da pena para quem participou dos atos antidemocráticos em “contexto de multidão”, desde que não tenha financiado nem exercido liderança, além de garantir a progressão de regime para aqueles que tenham cumprido 1/6 da pena no regime fechado.

Ainda pelo projeto, pessoas em prisão domiciliar poderão considerar o trabalho como forma de reduzir a pena a ser cumprida — a chamada remição. Atualmente, apenas o estudo pode remir a pena na modalidade domiciliar.

Agora, o Congresso poderá decidir pela manutenção ou derrubada do veto.

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

Ouvindo...