Decreto de Zema altera regras para estatais com medidas como a proibição de reajustes

Medida muda a classificação das empresas que dependem ou não de recursos públicos e estabelece condições para a necessidade de um plano de recuperação econômico-financeira

Decreto de Zema foi publicado nesta sexta-feira (9) no Diário Oficial do Estado

O governador Romeu Zema (Novo) decretou uma alteração nas normas de classificação de estatais mineiras de acordo com sua dependência dos recursos públicos. Em medida publicada no Diário Oficial nesta sexta-feira (9), ele determina que as companhias apresentem demonstrações que comprovem sua independência financeira sob pena de entrar em um plano de recuperação que congela reajustes salariais e a criação de novos cargos nas estruturas corporativas.

O decreto 49.159 versa sobre a caracterização das empresas sob comando do estado. As estatais que precisam de recursos públicos para despesas básicas como o custeio de pessoal são consideradas ‘dependentes’ e as que conseguem suprir seu funcionamento com o próprio lucro são chamadas ‘não dependentes’.

A medida de Zema determina que as empresas não dependentes têm a obrigação de apresentar ao Comitê de Coordenação e Governança de Estatais (CCGE) as informações sobre os recursos recebidos do Tesouro Estadual ou a existência de dívidas com órgãos públicos. As companhias têm 30 dias após a aprovação de suas demonstrações financeiras para oferecer as informações.

Caso as informações determinem que a estatal em questão pode ser classificada como dependente, a companhia deve apresentar ao CCGE — conselho que integra o quadro técnico da Secretaria de Estado de Fazenda — um Plano de Recuperação Econômico-Financeira (PREF) com prazo de execução de no máximo dois anos.

O conselho tem a prerrogativa de aceitar ou rejeitar o plano apresentado. As regras para o PREF incluem a proibição de reajuste salarial aos administradores; de aumento ou adequação dos rendimentos de funcionários; de criação de novos cargos; de alterações no plano de carreiras e da distribuição de lucros acima do limite legal.

Quando uma empresa passa a ser classificada como uma estatal dependente, ela passa a se sujeitar aos planejamentos e execução orçamentária do Poder Executivo, como os limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

O CCGE é composto pelos secretários de Fazenda; Desenvolvimento Econômico; Planejamento e Gestão. Participam também o chefe da Assessoria de Desestatização e os subsecretários de Tesouro Estadual e de Planejamento e Orçamento.

Quais estatais mineiras são dependentes?

De acordo com a listagem disponibilizada no site do Tesouro Estadual, três das 12 estatais de Minas Gerais são consideradas dependentes atualmente. São elas: a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater); a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig); e a Empresa Mineira de Comunicação (EMC) — que gere a Rádio Inconfidência e a Rede Minas.

Já entre as não dependentes estão: Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG); Companhia de Desenvolvimento Minas Gerais (Codemge); Companhia de Habitação do Estado de Minas Gerais (Cohab); Companhia de Saneamento do Estado de Minas Gerais (Copasa); Companhia de Tecnologia da Informação do Estado de Minas Gerais (Prodemge); Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig); Minas Gerais Participações S/A (MGI); Minas Gerais Administração e Serviços S/A (MGS); Trem Metropolitano de Belo Horizonte S/A (Metrominas).

No segundo semestre do ano passado, Codemge, Copasa e MGI — todas elas não dependentes —receberam da Assembleia Legislativa (ALMG) a autorização para sua federalização ou privatização. As decisões foram tomadas a partir de projetos de lei (PLs) apresentados pelo governo estadual para adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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