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O valor calculado para a Codemig equivale a cerca de 19% do estoque da dívida de R$ 175 bilhões de Minas Gerais com a União.
Dentro do Propag, o abatimento de 20% do estoque da dívida representa a possibilidade de parcelar o pagamento do débito em até 30 anos com a redução de dois pontos percentuais dos juros. A cobrança adicional hoje é calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais 4% ao ano.
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Saber o valor da Codemig era uma das principais reivindicações da oposição ao governador Romeu Zema (Novo) na Assembleia. A ideia era de que apenas a federalização da empresa já seria suficiente para conseguir uma adesão ao Propag com o benefício da redução dos juros. Com isso, o bloco contrário ao governo esperava esvaziar a pauta da privatização de outros ativos como imóveis do estado e a Copasa.
Codemig tem presença reduzida em lista do Propag
Na última quinta-feira (6), o Governo de Minas anunciou sua adesão ao Propag com uma lista de ativos que pretende envolver na negociação da dívida. Uma das surpresas foi a não inclusão da Codemig entre eles, bem como uma alteração do quadro societário da Codemge que desidratou sua participação acionária sobre a estatal de exploração mineral.
A mudança no quadro societário aumenta a participação do Governo Minas de 49% para 95% nas ações da Codemig, ao passo que a fatia da Codemge caiu de 51% para 5%.
Apenas a Codemge foi incluída entre os ativos do Propag, portanto, com um valor que engloba apenas 5% do que vale a Codemig. O Governo de Minas, no entanto, afirma que pode mudar os percentuais se for necessário um incremento no valor para atingir o pagamento de 20% da dívida com a União. Na sua formatação atual,
A divulgação dos dados nesta sexta-feira mostra que dentro do valor atual da Codemge, avaliado em R$ 4,59 bilhões, os 5% da Codemig representam R$ 1,684 bilhão.
Sigilo causou polêmica
No último 7 de outubro, a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig)
Em outubro, em resposta à Itatiaia acerca da justificativa do sigilo das informações, a Codemig informou que a classificação dos documentos era necessária diante de um momento sensível de negociações para a renovação do vínculo com a CBMM, parceira da estatal desde a década de 1970 em sua atuação na região de Araxá.
Entre os 13 documentos listados entre os sigilosos pela Codemig haviam materiais especificados como “Relatório de avaliação econômico-financeira Rotchschild & Co Brasil Ltda” e outro como “Projeções Financeiras da Codemig elaborado pela Goldman Sachs”.
A existência de dois documentos feitos por instituições financeiras alimentou a hipótese entre os deputados de oposição ao governador Romeu Zema (Novo) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) de que, entre as informações sigilosas, estaria um cálculo sobre o valor da Codemig.
Oposição diz que notícia não espanta
De oposição ao governador Romeu Zema, o deputado estadual Professor Cleiton (PV) diz que “a notícia não nos espanta nem um pouco”, e que seu grupo político vem tratando sobre isso “há meses”.
“Dissemos que a Codemig, sozinha, seria suficiente para a adesão, várias vezes. O que vemos é que a venda da Copasa ou de qualquer outro ativo é desnecessária. É uma opção política: a venda de uma empresa lucrativa e que presta um serviço relevante aos mineiros. Além disso, entendo ser um desrespeito com a Assembleia o fato de o Executivo não incluir a Codemig e incluir a Cemig no Propag, colocando a Assembleia contra a parede, mesmo depois de todas as declarações acertadas, por parte da ALMG, de que demais ativos só deveriam entrar em pauta após a avaliação da Codemig”, diz.
“Minas pode estar perdendo sua principal chance de resolver seu maior problema da história. A irresponsabilidade do governo em tratar esse tema tão sério com ardis, uma tentativa de esperteza idiota e muita pilantragem, pode estar tirando dos mineiros a chance da solução. A CODEMIG poderia resolver esse problema, e os lucros da COPASA poderiam ser os investimentos do Estado. Esperamos que a ALMG responda à altura e com muita responsabilidade com a coisa pública”, finaliza.