Banco Master: Gilmar Mendes anula quebra de sigilo de empresa de Dias Toffoli

Ministro do STF entendeu que CPI do Crime Organizado extrapolou limites ao atingir empresa ligada ao caso

Ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, anulou a decisão da CPI do Crime Organizado do Senado que havia determinado a quebra de sigilos da empresa Maridt Participações, da qual é sócio o ministro Dias Toffoli e seus irmãos.

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A medida havia sido aprovada pela comissão no contexto de investigações relacionadas ao caso envolvendo o Banco Master. Ao analisar o pedido, Gilmar Mendes, decano da corte, entendeu que a CPI extrapolou os limites constitucionais ao autorizar medidas invasivas sem demonstrar ligação direta entre a empresa e o objeto principal da investigação.

Segundo o ministro, comissões parlamentares de inquérito só podem atuar dentro de fatos específicos previamente definidos - o chamado “fato determinado”. Para ele, não houve fundamentação concreta que justificasse a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa.

Com isso, o ministro declarou nulo o requerimento aprovado pela CPI e determinou que órgãos como Banco Central, Receita Federal, Anatel e Coaf deixem de encaminhar dados com base na decisão. Caso informações já tenham sido enviadas, o decano determinou a inutilização imediata do material.

Entenda o caso

A Maridt Participações tem como sócios Dias Toffoli e seus irmãos e integrou o grupo responsável pelo resort Tayayá, em Ribeirão Claro, no Paraná.

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Em 2021, a empresa iniciou a venda de participação no empreendimento. Parte das cotas foi adquirida por um fundo de investimento ligado à gestora Reag, associada ao Banco Master, em operação que envolveu aporte de cerca de R$ 4,3 milhões.

A negociação passou a ser analisada por parlamentares porque Toffoli era relator de processos relacionados ao caso Master no STF. Em fevereiro deste ano, o ministro deixou a relatoria, que passou ao ministro André Mendonça. Toffoli confirmou participação societária na empresa e negou irregularidades.

Foi nesse contexto que a CPI aprovou a quebra de sigilos da Maridt e convocou os irmãos do ministro para depor.

STF também barrou convocação dos irmãos

Ainda nesta semana, André Mendonça decidiu que os empresários José Eugênio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli não são obrigados a comparecer à CPI do Crime Organizado.

Segundo o ministro, os dois foram convocados na condição de investigados e, por isso, têm direito constitucional à não autoincriminação. A decisão transformou a convocação em facultativa.

Caso decidam comparecer, eles terão garantidos o direito ao silêncio e o acompanhamento por advogado.

A CPI também aprovou convites - sem caráter obrigatório - aos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além da advogada Viviane Barci, esposa de Moraes. Ainda não há data definida para as oitivas.

Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

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