Presidente da Funed explica fim de contratos para produção de vacinas da meningite

Felipe Attiê falou sobre os investimentos exigidos para a continuidade da produção dos imunizantes em contrato de transferência de tecnologia com farmacêutica britânica

Sede da Funed, na Região Oeste de BH

O presidente da Fundação Ezequiel Dias (Funed), Felipe Attiê, disse que a interrupção do contrato de transferência com a farmacêutica britânica GlaxoSmithKline (GSK) se deu por falta de capacidade de investimentos para a produção de vacinas contra a Meningite C e a Meningite ACWY. Em entrevista a Bertha Maakaroun, colunista de política da Itatiaia, ele afirmou que a autarquia vinculada à Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) jamais produziu os imunizantes.

Segundo Attiê, a produção de vacinas com a bactéria C, prevista em contato vigente desde 2009, já seria interrompida pelo fim da fabricação da proteína necessária de forma isolada pela GSK.

Ele explica que o contrato cuja descontinuidade foi anunciada no ano passado trata sobre a produção da vacina contra a meningite ACWY, cuja produção foi firmada em contrato em 2022. Attiê argumenta que a produção do imunizante exige um investimento bilionário.

“Nós anunciamos a descontinuidade do que foi celebrado em 30 de dezembro de 2022, um contrato para fazer aliança estratégica para fazer quatro bactérias, a vacina com a bactéria ACWY Meningococcus. Essa que nós estamos descontinuando porque essa C já ia acabar de qualquer jeito e não houve a transferência tecnológica nessa que é mais simples: nunca conseguimos fabricar 0,1 ml dessa vacina dentro da Funed. [...] A Fábrica de vacina meningocócica tem uma nos Estados Unidos, da Pfizer; nenhuma no México nem no Canadá ou no Brasil; tem duas na Europa; duas na na Índia; e duas na China. Isso não é assim, os investimentos para se fazer uma fábrica de ACWY e se produzir 20 milhões de doses, são de R$ 2 bilhões e não é só capital. Uma fábrica dessa demora três anos para ficar pronta, depois para a Anvisa liberar demora mais quatro e a mão de obra tem que ser vinda do exterior”, argumentou.

Veja a entrevista completa:

Críticas da oposição

O anúncio do fim do contrato gerou críticas por parte da oposição ao governador Romeu Zema (Novo) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A Casa chegou a sediar uma audiência pública em outubro do ano passado para debater o tema. Em 16 de fevereiro, também em entrevista à jornalista Bertha Maakaroun, o deputado estadual Lucas Lasmar (Rede) questionou a gestão de Zema na saúde e citou o fim da produção de vacinas na Funed como argumento.

“Eu fiz uma audiência pública na Assembleia e convoquei o presidente da Funed para tratar sobre esse assunto, pois em uma primeira audiência, ele não foi. Ele simplesmente disse que não tinha ciência do contrato que existia entre o Ministério da Saúde e a Funed para a produção da vacina contra meningite nacionalmente. O Zema quer ser presidente da República, mas está atrapalhando diretamente o Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil. Cancelou esse contrato bilionário de fornecimento dessa vacina, porque um contrato que foi assinado no Governo Zema e a justificativa é de que depois foi descoberto que não tinha estrutura física para a produção e a entrega dessas vacinas para o Brasil”, afirmou.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora

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