Com ampla indefinição no cenário eleitoral na esquerda mineira, o Partido dos Trabalhadores corre o risco de não ter um palanque para o presidente Lula (PT) em Minas Gerais -- mesmo que líderes partidários neguem a possibilidade. No estado-chave para as eleições deste ano, que tem o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, ainda não houve definição de quem será apoiado pelo partido, nem se haverá, ou não, uma eventual candidatura própria para o Palácio Tiradentes.
A legenda luta contra o silêncio de Rodrigo Pacheco (PSD), que é o preferido de Lula para concorrer ao cargo, e amarga acenos natimortos, como com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), e com o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Tadeu Leite (MDB), ambos cortejados pelo PT durante os últimos meses.
De acordo com a presidente do PT em Minas Gerais, deputada estadual Leninha, o partido não corre o risco de ficar sem um palanque para Lula, e há uma construção paralela de uma “solução” mesmo se Pacheco não vier candidato. “Teremos palanque de Lula em Minas… estamos buscando, construindo, uma solução caso o Pacheco não venha”, definiu.
Ela avalia que, mesmo que o partido lance uma candidatura própria neste ano, não seria “tarde demais” para construir um concorrente à altura dos demais no pleito. “Do jeito que está o xadrez para governo não ficará, não…. Muita indefinição… inclusive com Simões (PSD), que já está em campanha, as pesquisas continuam dando um baixo percentual”, defende.
O deputado estadual e líder da Minoria na Assembleia, Cristiano Silveira (PT), argumenta que mesmo que o partido não tenha um nome forte concorrendo ao Palácio Tiradentes, Lula seria “o próprio palanque”. “Na verdade, não tem ninguém em Minas que daria voto para o Lula. É o Lula que tem voto em Minas para dar para quem quer que seja. Você vê que todo mundo que é desse campo, desse espectro, sempre fala muito isso. Todo mundo quer ter o Lula colado à sua imagem para poder se viabilizar nas disputas aqui”, diz.
O parlamentar elenca três possibilidades para a legenda nas eleições majoritárias neste ano. A primeira é que Pacheco defina uma candidatura ao governo do estado com o apoio de Lula e uma frente ampla da esquerda. A segunda, seria a construção de uma nova candidatura de esquerda, provavelmente do PT, para o cargo.
A terceira seria usar os pré-candidatos ao Senado Federal como palanque para o petista no estado, a reboque da popularidade da prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), que é consenso na legenda para concorrer à vaga na Casa Alta do Congresso.
“O presidente Lula terá um palanque bom, forte de Senado. O presidente Lula vai ser votado e vitorioso em Minas Gerais e nós vamos conseguir ampliar a nossa presença no Senado, que hoje tem sido uma das nossas estratégias principais. Agora é isso, acho que no caso da disputa do governo, nós vamos trabalhar com o ideal, os cenários ideais, mas se não tiver jeito, vamos para os cenários possíveis”, conclui.
Já o presidente do diretório municipal do PT em Belo Horizonte, Guima Jardim, afirma que a possibilidade de o partido definir um nome sem uma desistência clara de Pacheco é praticamente “nula”. Em conversa com a reportagem, ele comparou a busca por opções alternativas, sem um sinal do senador, a “discutir a herança com o pai internado”.
De acordo com ele, a orientação é que a escolha e a preferência de Lula por Pacheco são claras e devem ser prioridade, já que o presidente convenceu o PT de que o senador seria a melhor opção para o governo de Minas.
Em relação ao tempo, Guima diz que o partido está “muito tranquilo” e que, enquanto não há definição de um nome, a missão é fortalecer o partido em Minas para que, se necessário, seja construída ou fortalecida uma alternativa.
Cenário ‘embaralhado’
Além do PT, outro grande partido tem interesse no governo de Minas: o Partido Liberal (PL), sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como representante do pai na disputa eleitoral, mirando trazer de volta o clã Bolsonaro ao Palácio do Planalto, o partido vê Minas como peça-chave para vencer as eleições.
Entre os nomes cotados, mais próximos da família Bolsonaro, para a disputa estão o vice-governador de Minas e o senador Cleitinho (Republicanos).
Para o vice de Zema, o apoio do PL seria essencial na disputa. Nos últimos dias, Simões tem intensificado a aproximação com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que também é considerado uma figura central do partido no estado.
Um eventual apoio à candidatura de Simões, no entanto, conflita com o projeto de Zema, que pretende disputar a Presidência da República.
O PL ainda corre o risco de “bater de frente” com um forte aliado dos Bolsonaros: Cleitinho. O senador já reforçou que, com ou sem o apoio de Flávio, disputará o governo de Minas.
Em entrevista recente, o parlamentar afirmou que só abriria mão da candidatura caso o deputado Nikolas Ferreira concorresse ao cargo.