O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF) que não recebeu ajuda de políticos e que, se tivesse contado com esse tipo de apoio, não teria sido preso nem estaria usando tornozeleira eletrônica.
A declaração foi dada durante o interrogatório conduzido pela PF, no qual Vorcaro foi questionado sobre sua suposta influência política e relações com autoridades. Em resposta, ele negou qualquer tipo de interferência em seu favor.
“Se eu tenho tantas relações políticas como estão dizendo e se eu tivesse pedido ajuda desses políticos, eu não teria a operação do BRB negada, não estaria aqui de tornozeleira e não teria sido preso”, afirmou.
Os vídeos dos depoimentos foram tornados públicos nesta quinta-feira (29) por decisão do ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A medida atendeu a um pedido do Banco Central para ter acesso ao depoimento de Ricardo Aquino, ouvido em audiência no dia 30 de dezembro.
Ao analisar a solicitação, Toffoli decidiu levantar o sigilo não apenas desse depoimento, mas também dos demais envolvidos, além da acareação entre Vorcaro e Paulo Henrique Costa.
O restante do inquérito que investiga o Banco Master segue sob sigilo até manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A apuração envolve a tentativa de compra de 58% do Master pelo Banco de Brasília (BRB), operação negada pelo Banco Central sob o argumento de risco ao Sistema Financeiro Nacional.
Em novembro, o Banco Master foi liquidado após ser alvo da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que resultou na prisão de Vorcaro.
O caso foi enviado ao STF devido à possibilidade de envolvimento de autoridades com foro privilegiado. A atuação de Toffoli tem sido alvo de críticas, sob alegações de suposta parcialidade e proximidade com Vorcaro.