Os juros da dívida pública consumiram R$ 1,007 trilhão em 2025, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Banco Central (BC). O valor representa 7,91% do Produto Interno Bruto (PIB) e mostra o tamanho do peso que o endividamento exerce sobre as contas do país - uma despesa que, sozinha, é muito maior do que o rombo das despesas básicas do governo.
De acordo com o Banco Central, o aumento da conta de juros ao longo do ano foi influenciado principalmente pela taxa básica de juros (Selic), mantida em 15% desde julho do ano passado, e também pelo crescimento do estoque da dívida pública. Só em dezembro, os juros somaram R$ 121,8 bilhões, acima do registrado no mesmo mês de 2024, quando os juros somaram R$ 96,1 bilhões.
Contas no vermelho
Quando se olha apenas para as receitas e despesas do dia a dia do governo - sem contar os juros - o país também fechou no vermelho. O setor público consolidado teve déficit primário de R$ 55 bilhões em 2025, o equivalente a 0,43% do PIB. Em 2024, o resultado negativo havia sido de R$ 47,6 bilhões.
O detalhamento mostra que o Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) concentrou o maior rombo, com déficit de R$ 58,7 bilhões. Já os governos regionais (estados e municípios) registraram superávit de R$ 9,5 bilhões, ajudando a reduzir parcialmente o resultado negativo geral.
Somando o déficit primário com a conta de juros, o chamado resultado nominal - que mostra o quanto a dívida cresceu no ano - ficou negativo em R$ 1,062 trilhão em 2025, o equivalente a 8,34% do PIB.
O impacto aparece diretamente no endividamento do país. A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que inclui governo federal, INSS, estados e municípios, atingiu 78,7% do PIB ao fim de 2025. Já a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) chegou a 65,3% do PIB.