Preço do café subiu em 2025, apesar da queda no consumo

Categoria de maior volume nas despensas, teve aumento de 5,8%

Aumento de preços variou conforme o selo de qualidade do produto

Apesar da queda no consumo, o mercado de café no Brasil enfrentou uma pressão inflacionária em 2025. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), o preço médio do café torrado e moído no varejo registrou uma alta de 5,8% no último ano. Esse movimento ocorre após um aumento ainda mais expressivo em 2024, quando os preços subiram 37,4%.

O encarecimento do produto nas gôndolas é reflexo direto da valorização das matérias-primas nos últimos cinco anos, período em que o café arábica subiu 212% e o conilon saltou 201%.

Comportamento por categoria

O aumento de preços variou conforme o selo de qualidade do produto:

  • Cafés Gourmets: Registraram a maior alta do setor, com um salto de 20,1% em seus valores.
  • Tradicionais e Extrafortes: Categoria de maior volume nas despensas, teve aumento de 5,8%.
  • Cafés Especiais: Apresentaram uma variação positiva de 4,3% entre janeiro e dezembro de 2025.

Tipos em baixa

Apesar da alta geral no preço médio do café em 2025, o consumidor brasileiro começou a encontrar alívio em categorias específicas nas gôndolas dos supermercados. Segundo dados da ABIC, o mercado de cafés em cápsulas e a categoria de cafés Superiores registraram quedas importantes no último ano.

Conforme o levantamento anual da entidade, os destaques de redução de preço foram:

  • Cafés em cápsulas: Tiveram a maior retração do setor, com queda de 16,8% no preço médio.
  • Cafés Superiores: Registraram recuo de 3,5% nas cotações de varejo

Café x Cesta Básica

O comportamento do café em 2025 foi na contramão de outros itens essenciais. Enquanto a bebida encareceu 5,8%, o preço médio da cesta básica caiu 4,8% no mesmo período. Itens como o arroz (-31,1%), o feijão (-14,3%) e o açúcar (-13,3%) deram fôlego ao orçamento doméstico, enquanto o café e o óleo de soja (+1,2%) pressionaram os custos.

Impacto no faturamento

Mesmo com o recuo de 2,31% no volume de sacas consumidas, o faturamento da indústria de café torrado disparou devido aos preços elevados. A receita alcançou R$ 46,24 bilhões em 2025, uma variação positiva de 25,6% em relação ao faturamento de 2024.

Para 2026, a ABIC projeta um cenário de maior equilíbrio. Com a previsão de uma safra robusta e clima favorável, a expectativa é de que o mercado se estabilize, reduzindo as variações bruscas de preço para o consumidor final.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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