Consumo de café cai, mas brasileiro bebe 1,4 mil xícaras e faturamento sobe 25%

Apesar do recuo no volume consumido em 2025, alta nos preços impulsionou a receita da indústria para R$ 46,2 bilhões

Média de 3,8 xícaras diárias por habitante

O brasileiro consumiu uma média de 1.400 xícaras de café por pessoa entre novembro de 2024 e outubro de 2025. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (29) pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC).

Embora o número impressione — correspondendo a cerca de 3,8 xícaras diárias por habitante — o período registrou um recuo de 2,31% no consumo total em comparação ao ano anterior. Ao todo, foram consumidas 21,409 milhões de sacas, o equivalente a quase 38% da safra nacional estimada pela Conab.

Brasil x Estados Unidos: volume e hábito

No ranking global de demanda, o Brasil ocupa a segunda posição, atrás apenas dos Estados Unidos (que consomem cerca de 5 milhões de sacas a mais). Contudo, quando o critério é o consumo individual, o brasileiro leva a melhor:

  • Brasil: 6,02 kg de café cru por habitante.
  • EUA: 4,9 kg de café cru por habitante.

Preços em alta

Enquanto o preço médio da cesta básica caiu 4,8% em 2025, o café seguiu a contramão, registrando uma alta de 5,8%.

“O cenário de preço do café, em 2024 e 2025, foi norteado por variações climáticas, produção insuficiente e baixos estoques, que tornaram o preço do café no varejo instável. Em 2026, a indicação é de uma safra boa, um clima mais estável, que poderá favorecer um mercado mais equilibrado e sem maiores variações de preço do café na gôndola”, comentou a entidade.

A variação de preços, no entanto, não foi uniforme entre as categorias:

Categoria de café Variação de preço (2025)
Gourmet+ 20,1%
Tradicionais e Extrafortes+ 5,8%
Especiais (Certificados) + 4,3%
Superiores - 3,5%
Cápsulas- 16,8%

Faturamento recorde e projeções para 2026

Mesmo com a queda no volume, o aumento dos preços no varejo inflou o faturamento das empresas, que saltou 25,6%, atingindo a marca de R$ 46,24 bilhões.

Para 2026, a previsão é de alívio para o consumidor. “A indicação é de uma safra boa e clima mais estável, o que deve favorecer um mercado mais equilibrado e sem grandes variações de preço nas gôndolas”, afirmou a entidade em nota.

O café solúvel também desponta como tendência interna, apresentando um crescimento de 9,52% no consumo nacional, enquanto o mercado de café torrado e moído sofreu um ajuste devido à atualização da base populacional do IBGE.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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